Meu passado me condena

Meu passado me condena

Na lanterna e com a pior defesa da competição, o Palmeiras segue a passos largos rumo ao terceiro rebaixamento de sua história. Campanha atual do alviverde é semelhante às das quedas nas edições de 2002 e 2012

postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Leandro Martins/Futura Press

 


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(foto: Leandro Martins/Futura Press )


Centenário, volta à elite, inauguração do novo estádio. O Palmeiras começou 2014 sonhando alto. Os planos de uma grande temporada, porém, se tornaram pesadelo. Após perder para o Sport por 2 x 1 na quarta-feira, o alviverde, dono da pior defesa do Campeonato Brasileiro, assumiu a lanterna da competição. E, além do risco de amargar o terceiro rebaixamento de sua história, pode se tornar o único clube grande a cair ao completar 100 anos. Se o presente é alarmante, o passado atormenta. O Palmeiras atual tem números semelhantes aos das quedas nas edições de 2002 e 2012.

Nos dois campeonatos em que o Palmeiras foi rebaixado, figurava na zona de rebaixamento já na 16; rodada, como ocorre agora, e com menos de 30% de aproveitamento de pontos (veja quadro). O ataque é outra fraqueza em comum: nenhuma das equipes alviverdes fez mais de um gol por jogo. Mas o elenco deste ano conseguiu insucesso único: tem o maior jejum de vitórias do clube na era dos pontos corridos. São 10 jogos e 88 dias sem comemorar um triunfo. Para se ter uma ideia da abstinência, o América-RN, dono da pior campanha no Brasileirão desde 2003 (somou 17 pontos em 38 rodadas), ficou 70 dias sem ganhar.

Apesar de os três Palmeiras terem resultados parecidos, o estilo das equipes é diferente. Em 2002 e 2012, a aposta era nas bolas paradas. Arce e Marcos Assunção, respectivamente, tinham a função de alçar bola na área, e restava ao torcedor rezar para alguém resvalar nela e mandar para as redes.

Em 2014, a proposta do técnico Ricardo Gareca é o que se prega para o futebol moderno, com posse e toque de bola, além de marcação em espaço reduzido. Mas o nível do elenco torna a tarefa quase um milagre. É raro ver o time conseguir trocar passes no campo adversário. Afobado, aparece como o terceiro que mais erra o fundamento neste Brasileirão. O lateral-esquerdo Wendel tem dificuldades em fazer a ligação e já errou 101 passes na competição.

Tentativa e erro
O meio-campo sofre com a falta de entrosamento. O setor teve 14 formações diferentes, com 17 jogadores testados. Wesley e Marcelo Oliveira impressionam pela dificuldade em trocar passes. Bruno Cesar e Felipe Menezes irritam a torcida pela lentidão. Valdivia, único com qualidade de mudar o jogo, virou piada para os adversários. Entrou em campo em cinco jogos e foi para o estaleiro, em mais uma entre tantas lesões no clube. Pela direita, o argentino Allione é o solitário a mostrar trabalho.

A precária troca de passes leva a outros dados. O Palmeiras aparece, isolado, como o time que mais dribla, fruto da falta de opções próximas para tocar a bola. Não por acaso, também é o que mais perde a bola em todo o Campeonato Brasileiro. Nos últimos jogos, tornou-se comum ver Gareca à beira do campo, aos berros, caprichando no ;portunhol;: ;Bamos, toquem la pelota com calma;.

Até os goleiros, uma das raras funções que orgulhavam os alviverdes, estão em má fase. Após as passagens dos irregulares Bruno e Deola, Fábio assumiu as traves, mas falha em momentos decisivos, ainda mais com a pressão sobre a equipe. Ontem, o atleta de 24 anos disse que ;não dorme há cinco dias;.

O roteiro das três edições do Brasileirão não muda. Segurança reforçada no aeroporto durante a chegada da delegação e muros do CT pichados. Durante a semana, houve protestos em frente à casa do presidente, Paulo Nobre, o maior alvo da torcida.

Amanhã, o duelo será contra o Coritiba, rival direto na luta contra o rebaixamento. Para um clube que vai enfrentar Internacional e Atlético-PR nas últimas rodadas do primeiro turno, é uma ótima oportunidade de começar a afastar a má fase. No centenário, os palmeirenses não esperam um grande baile, mas ainda há tempo de salvar a festa..

Mau sinal
Compare o alviverde dos dois rebaixamentos com a atual equipe

Na 16; rodada;


2002
Lanterna
26% de aproveitamento
15 gols pró
28 gols contra
-12 de saldo
2 vitórias
A equipe: Sérgio; Arce, Alexandre, César e Rubéns Cardoso; Paulo Assunção, Flávio, Juninho e Zinho; Munhoz e Lopes


2012
17; lugar
27% de aproveitamento
15 gols pró
19 gols contra
-4 de saldo
3 vitórias
A equipe: Bruno; Artur, Adalberto Román, Maurício Ramos e Juninho; Márcio Araújo, Correa, Tiago Real e Mazinho; Maikon Leite e Barcos


2014
Lanterna
29% de aproveitamento
13 gols pró
23 gols contra
-10 de saldo
4 vitórias
A equipe: Fábio; Wendel, Victorino, Tobio e Victor Luis; Renato, Marcelo Oliveira, Wesley e Allione; Mouche e Henrique

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