Bolsa tem pior queda em 3 anos

Bolsa tem pior queda em 3 anos

Perspectiva de reeleição de Dilma faz mercado de ações desabar 4,52% e leva o dólar à maior cotação desde 2008

» DIEGO AMORIM
postado em 30/09/2014 00:00
 (foto: Mark Wilson/AFP - 20/5/13)
(foto: Mark Wilson/AFP - 20/5/13)


O mercado financeiro enlouqueceu ontem, como há muito não se via. O avanço da candidata Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas de intenção de voto fez a Bolsa de Valores de São Paulo (BM) despencar, enquanto os juros e o dólar dispararam. O Ibovespa teve o pior desempenho em três anos, com recuo de 4,52%. Nenhum outro pregão no mundo registrou queda tão significativa. Já a divisa norte-americana subiu 1,71% e terminou o dia em R$ 2,456, a maior cotação desde 9 de dezembro de 2008, quando a economia global estava mergulhada em uma grave crise.

Foi o dia mais agitado desde que, seis meses atrás, a corrida ao Planalto começou a influenciar os investidores de maneira decisiva. O pregão já abriu em forte baixa, refletindo levantamento divulgado na noite da última sexta-feira, que mostrou Dilma liderando com folga no primeiro turno. Perto das 11h, o principal indicador da Bovespa alcançou o menor patamar do dia, com variação negativa de mais de 5,2%. ;Desde os tempos de planos econômicos, não lembro de pesquisa eleitoral mexer tanto com o mercado;, comentou Luiz Pardal, gestor de fundos da DCX Asset.

As ações preferenciais da Petrobras afundaram mais de 11%, o que fez a estatal deixar de ser a maior empresa do país em valor de mercado. A estatal terminou o dia valendo R$ 253 bilhões, perdendo o posto para a Ambev, que já ocupou o lugar em março passado. O pregão foi marcado ainda pela desvalorização dos papéis do ;kit eleição;, como os do Banco do Brasil (-8,5%), do Bradesco (-7,03%), do Itaú (-7%) e da Eletrobras (-6,14%). ;A provável reeleição de Dilma aumenta o risco de piora dos indicadores dessas empresas;, avaliou o professor do Ibmec Reginaldo Nogueira.

Nas alturas
Na mesma linha, durante o dia, o dólar chegou a atingir quase R$ 2,48. Entre as principais moedas do mundo, o real foi a que mais perdeu valor. ;Não me lembro de movimento tão intenso desde a campanha de 2002, quando o mercado temia a eleição de Lula;, disse Mario Battistel, gerente da Fair Corretora. No fechamento, a cotação ficou perto da registrada de 22 de agosto do ano passado, quando o Banco Central deu início às vendas futuras de moeda através dos chamados contratos de swap.

O mercado se questiona até que ponto o BC conseguirá conter a escalada da divisa, que pode impactar a inflação, já no teto da meta, sem recorrer à venda direta de dólares das reservas cambiais. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não ver influência eleitoral no mercado. ;Prefiro olhar os fundamentos, a tendência de juros, o que está acontecendo no cenário internacional;, disse.


; Petrobras perde
um ;Bradesco;


Com o recuo das ações no pregão de ontem, a Petrobras acumulou uma queda de valor de mercado de R$ 144 bilhões, segundo cálculos da consultoria Economática. Para os analistas, é como se a estatal tivesse encolhido, em quatro anos, num montante equivalente ao capital do Bradesco. O banco está avaliado em R$ 149 bilhões, tomando como base o preço de seus papéis na Bovespa.


; Ameaça
externa


O quadro externo segue contribuindo, embora em escala menor, na avaliação de especialistas, para a queda da bolsa e para a alta do dólar no Brasil. Persistem os sinais de enfraquecimento da economia mundial e está mantida a expectativa de aumento de juros pelo Fed, o banco central dos Estados Unidos.

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