Carlos Xavier apela para o polígrafo

Carlos Xavier apela para o polígrafo

» ARTHUR PAGANINI
postado em 13/11/2014 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 8/6/05)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 8/6/05)



O ex-deputado distrital Carlos Xavier tenta mudar o resultado do júri que o condenou, em abril passado, a 15 anos de prisão pela morte de Ewerton Ferreira, 16, em março de 2004. A apelação foi encaminhada pela defesa do ex-parlamentar em maio, mas, na última sexta-feira, Xavier entrou com um novo pedido à Justiça para anular a condenação e provar inocência no caso. Por iniciativa própria, ele se submeteu ao teste do polígrafo ; o detector de mentiras ;, aparelho capaz de identificar alterações de humor durante um depoimento. Segundo o exame, obtido com exclusividade pelo Correio, Xavier não foi o mandante do assassinato contra Ewerton.

O Ministério Público sustenta que, na fase de recurso, não é admitida a inclusão de provas no processo. A defesa de Xavier, no entanto, avalia que o laudo favorável ao cliente pode influenciar a decisão em segunda instância. Xavier submeteu-se ao teste do polígrafo em 16 de outubro. O procedimento foi feito por um perito do Rio Grande do Sul. Lá, o sistema é reconhecido pelas polícias, pelo MP e pela Justiça há cinco anos. Em Minas Gerais, o método também é usado, há dois anos. No DF, o aparelho nunca foi utilizado em um processo judicial, apesar de a Polícia Civil possuir o mesmo instrumento usado no teste de Xavier. Nele, a perícia atesta que o ex-distrital não tramou vingança contra Ewerton.

O jovem foi executado a tiros e encontrado próximo a uma parada de ônibus em Santa Maria. Segundo o Ministério Público do DF (MPDFT), Xavier encomendou o crime, pois Ewerton mantinha um relacionamento com a ex-esposa dele, Maria Lúcia Araújo. Mas Xavier alega que as investigações, que levavam a um caso de roubo seguido de morte, se transformaram, 20 dias após o crime, em acusação de homicídio contra si. Segundo Xavier, a mudança no depoimento do acusado Leandro Dias Duarte foi sugerida pelo então presidente do Sindicato dos Policiais, Wellington Luiz (PMDB). A esposa do tio do Leandro é prima da esposa de Wellington.

Para os advogados de Xavier, o júri deve ser anulado, pois não teria sido garantido o direito à ampla defesa. ;Entre as provas que o juiz não autorizou incluir no meu processo, está uma gravação, atestada por um laudo da Polícia Civil, em que o próprio Wellington afirma que era preciso embaralhar o caso para me prejudicar. Ele mesmo, durante a gravação, atesta ter certeza de que eu nunca estive envolvido com o crime;, diz Xavier. Wellington, no entanto, sempre refutou as alegações de Xavier e nega qualquer envolvimento.

Acareação


O teste de polígrafo contratado por Xavier também analisou os áudios das acareações de Leandro e de Eduardo Gomes da Silva, o Risadinha, apontado pelo MPDFT como o responsável por receber a suposta encomenda do crime do ex-deputado. Submetidos ao polígrafo, os arquivos de voz dos dois mostram que Risadinha não entregou a arma do crime ou qualquer quantia em dinheiro a Leandro em troca da execução do crime. Xavier aguarda o fim da sua apelação em liberdade.

15 anos

Tempo a que Carlos Xavier foi condenado pela morte de Ewerton Ferreira, em 2004

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação