Protesto complica ajuste

Protesto complica ajuste

postado em 19/03/2015 00:00
Os protestos no Brasil dificultam a consolidação do esforço fiscal que a equipe econômica vem tentando colocar em prática, avaliou ontem, em comunicado, a agência de classificação de risco Moody;s. Apesar de considerar como ;altamente improvável; o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a agência afirma que o ;descontentamento social e político é negativo para o crédito do Brasil, pois complica os esforços do governo para restaurar a confiança do investidor e alcançar consolidação fiscal;. Atualmente, a Moody;s atribui ao país a nota Baa2, dentro do grau de investimento, mas com perspectiva negativa.

O relatório mostrou preocupação com o apoio escasso da população à presidente, afirmando que taxas baixíssimas de aprovação de um governante podem minar seu posicionamento nas negociações com o Congresso Nacional, o que, no caso de Dilma, inclui pacotes econômicos com medidas importantes de consolidação fiscal.

Um dia após os protestos do último domingo contra o governo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pediu que a população apoie o ajuste fiscal, afirmando que o reequilíbrio das contas públicas precisa ser rápido para evitar rebaixamento do país pelas agências de risco, crise cambial e descontrole da inflação. Ontem, o ministro voltou a dizer que uma base fiscal sólida é necessária para o crescimento do país.

;A deterioração das condições macroeconômicas e o crescente descontentamento social adicionam incerteza quanto às perspectivas de curto prazo para o país;, disse a Moody;s. ;No momento, os indicadores de confiança são significativamente mais baixos do que aqueles registrados no auge da crise financeira global (2008-2009), reforçando o círculo vicioso de mais de dois anos em que fraco desempenho econômico alimenta um forte sentimento negativo e vice-versa;, ressaltou a agência. A Moody;s prevê que a economia brasileira vai ter contração de 1% neste ano, depois de ter ficado estagnada em 2014.

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