O sim que parou a República

O sim que parou a República

Paulo de Tarso Lyra paulodetarso.df@dabr.com.br
postado em 15/05/2015 00:00
Ao, finalmente, aceitar fechar o acordo de delação premiada na última quarta-feira, o presidente da UTC, Ricardo Pessoa, convulsionou de vez a República. Até o momento, ele apenas disse sim ao Ministério Público Federal e ao juiz que preside o inquérito da Lava-Jato, Sérgio Moro. Mas atirou no torvelinho o novo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, e o ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

No primeiro caso, Pessoa afirmou ter entregado, em 2014, R$ 7,5 milhões a Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff à reeleição. A doação teria sido feita por receio de que a empreiteira perdesse os contratos com a Petrobras. É bom lembrar que, apesar de as investigações na Lava-Jato estarem em plena vigência durante a campanha eleitoral, os donos de empreiteiras só foram presos em 14 de novembro, quase um mês depois do segundo turno da corrida presidencial.
Edinho negou as acusações. Disse jamais ter tido qualquer envolvimento com a Petrobras. Acrescentou que todas as doações recebidas na campanha de Dilma Rousseff foram legais, declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E que o tribunal, posteriormente, aprovou as contas de campanha da petista.

Mas, tão logo Pessoa confirmou que faria a delação, Dilma chamou a seu gabinete Edinho e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Queria ser posta a par dos acontecimentos e de possíveis desdobramentos daqui para a frente. Se, na última segunda-feira, o Planalto respirara aliviado após o doleiro Alberto Yousseff ter negado a entrega de dinheiro a Antonio Palocci na campanha de 2010, as primeiras revelações do presidente da UTC complicam muito mais o governo, pois levantam suspeições sobre a campanha da reeleição, o que pode abrir brechas para um processo envolvendo o atual mandato de Dilma.

Outro que perdeu o rumo após as palavras de Ricardo Pessoa foi o ex-ministro Edison Lobão. O peemedebista é mencionado como possível intermediário no pedido de doações para a campanha de Roseana Sarney ao governo do Maranhão. O ex-ministro, que esteve, na última quinta-feira, no almoço de Renan Calheiros com Lula, está, nas palavras de um colega de Senado, ;visivelmente transtornado com a menção ao seu nome;.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação