Exército contra-ataca

Exército contra-ataca

Forças do governo e milícias pró-Irã lançam ofensiva para retomar capital provincial em poder de jihadistas

postado em 27/05/2015 00:00
 (foto: Ahmad Al-Rubaye/AFP)
(foto: Ahmad Al-Rubaye/AFP)


Com apoio de milicianos pró-Irã, o Exército iraquiano lançou ontem uma operação para retomar o controle da província de Anbar, cuja capital, Ramadi, está há 10 dias em poder dos extremistas do Estado Islâmico (EI). A ofensiva foi anunciada por um porta-voz da Mobilização Popular, coalizão de milícias xiitas, um dia depois de a Casa Branca tentar diminuir a tensão provocada por declarações do secretário de Defesa americano, Ashton Carter, que atribuiu a queda fulminante de Ramadi à ;falta de disposição de combate; dos soldados regulares iraquianos.

Reforçadas por 4 mil milicianos, as tropas iraquianas marcharam para o sul da província de Salahuddin, na divisa com Anbar, com o objetivo de alcançar as regiões desérticas a nordeste de Ramadi e isolar os jihadistas. ;As forças iraquianas e as Unidades para Mobilização Popular cortaram, a partir do sul, todas as vias de abastecimento do EI em Ramadi;, informou um membro do conselho provincial, Arkan Jalaf Al-Tarmuz. O porta-voz das milícias xiitas, Ahmed Al-Asadi, confirmou à agência de notícias France-Presse que o objetivo da ação no oeste do país é isolar os guerrilheiros e ;libertar todas as regiões situadas entre Salahuddin e Anbar;.


3 mil
Total aproximado de ataques aéreos da coalizão liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico, desde agosto


Apesar de anteontem os americanos terem reforçado seu apoio ao Iraque, o apelo às forças xiitas contraria os interesses de Washington, que vê com preocupação a crescente influência iraniana no país. O chanceler francês, Laurent Fabius, também criticou o suporte paramilitar, ressaltando os perigos de essa ação alimentar sentimentos sectários. A maioria da população de Anbar pertence ao islã sunita, minoritário no conjunto do país.

Adversários da aliança entre as milícias e o Exército receiam que a operação, batizada de ;Às suas ordens, Hussein; ; referência a um dos imãs mais venerados pelos xiitas ; desperte entre a população de Anbar simpatias pelos jihadistas, já que o EI professa o islã sunita. Segundo Fabius, a coalizão anti-EI liderada pelos EUA apoiou o governo iraquiano confiando no comprometimento do premiê Haider Al-Abadi em liderar um governo inclusivo, que não favoreça nenhum grupo religioso. ;Não há solução militar sem solução política;, afirmou o chanceler francês.

Estratégia

A ação americana na luta contra o EI também foi criticada, depois de os extremistas tomarem Ramadi e a cidade síria de Palmira, no maior avanço desde que o Ocidente lançou uma campanha de ataques aéreos contra o grupo, há oito meses. Após mais de 3 mil bombardeios, e diante da falta de resultados palpáveis, o presidente Barack Obama admitiu as dificuldades no Iraque, mas reafirmou o compromisso de traçar uma estratégia eficaz para derrotar os jihadistas. ;A Otan (aliança militar ocidental) está reconhecendo uma série de desafios globais, particularmente no que chamamos de Frente Sul, tendo a certeza de que continuamos a coordenar com eficiência a luta contra o EI;, disse Obama, ao lado do secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

O presidente americano também comentou a preocupação com o crescimento da violência na Líbia, onde o premiê Abdullah Al-Thani escapou ontem de uma tentativa de assassinato. Al-Thani, que em agosto perdeu o controle da capital para uma coalizão de milícias islâmicas, estava em seu carro, diante do parlamento instalado em Tobruk, quando um grupo de homens armados atirou contra ele.



Nepotismo no martírio
Jihadistas que esperam em fila pela chance de explodir-se em missões suicidas acusam os líderes de nepotismo e demagogia. Em artigo intitulado ;Corrupção no Estado Islâmico;, o imã russo Kamil Abu Sultan Al-Daghestani sustenta que a única maneira de chegar ao martírio, nos últimos tempos, é por meio de parentesco e conexões pessoais.


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação