Trabalho de fôlego

Trabalho de fôlego

Exercícios embaixo d´água colaboram no aumento da capacidade respiratória. A prática, no entanto, é de grande risco e indicada apenas para atletas de alto rendimento em modalidades específicas

Maíra Nunes
postado em 10/06/2015 00:00
 (foto: Jorge Silva/Reuters - 19/10/11)
(foto: Jorge Silva/Reuters - 19/10/11)

Em uma competição de alto rendimento, a velocidade com que nadadores atravessam uma piscina na prova de 50m livre é tamanha que colocar a cabeça fora d;água para respirar significa perder segundos preciosos. Já no surfe, quando a onda dá errado e o caldo torna-se inevitável, o atleta é jogado para baixo d;água. Nesses segundos, ter calma e fôlego faz toda a diferença. Para situações assim, é possível melhorar a capacidade respiratória por meio de treinamentos embaixo d;água.
Além de a pessoa conseguir se manter um tempo maior sem respirar, ela aumenta o potencial de se recuperar mais rapidamente após um esforço físico. A prática, no entanto, deve ser realizada com muita cautela e atenção. Deixar o organismo sem oxigênio por um tempo ; mesmo curto ; implica risco de a pessoa ;apagar;, ou seja, desmaiar durante os exercícios.


;Caso isso ocorra dentro d;água, o socorro precisa ser imediato para evitar qualquer lesão grave ou mesmo a morte;, alerta o professor de natação Marcus Lima. Por conta dos altos riscos, os treinamentos são indicados apenas para casos específicos: nadadores voltados para provas super-rápidas; surfistas ; principalmente os de ondas gigantes ;; praticantes do mergulho de apneia, considerada modalidade esportiva; e atletas de alto rendimento do nado sincronizado.


De uma coreografia com dois minutos e 30 segundos do nado sincronizado, as praticantes chegam a passar 40 segundos seguidos embaixo d;água fazendo uma única série de movimentos de perna. ;Brinco com as meninas que a gente passa mais tempo de cabeça para baixo dentro d;água do que fora;, diverte-se Simone Montenegro, técnica da seleção brasiliense da modalidade.


As atletas que praticam o esporte ganham o condicionamento físico necessário para as ;estripulias; por meio de natação, balé, ginástica acrobática e o que mais gostarem. Para aumentar o fôlego, há ainda exercícios específicos, como inspirar o máximo de ar pelo nariz e pela boca fora d;água e, depois, controlar a respiração para, na água, conseguir soltar todo o ar pela boca por 10 segundos. ;Além de trabalhar a coordenação de respiração, esses exercícios servem para que as meninas aprendam a administrar a quantidade de ar que têm;, explica a técnica.


Mesmo assim, antes de experimentar o treinamento, é importante passar por uma avaliação médica. A prática não é indicada para pessoas com problema cardiovascular ou com doenças pontuais, como a síndrome do vaso vagal, nem para crianças. Aos aptos, os principais cuidados são nunca fazer o treinamento sozinho. É necessário ter um profissional fora da piscina auxiliando durante todos os momentos.

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