Aposentados sufocados por dívidas

Aposentados sufocados por dívidas

Educadores financeiros alertam para perigo do aumento do limite de juros de crédito consignado a beneficiários do INSS

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 31/10/2015 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 18/6/15)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 18/6/15)

O nível de endividamento dos aposentados não para de crescer. E com a alta das taxas de juros para empréstimos consignados destinados a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os idosos devem ficar atentos para não comprometer ainda mais o orçamento. Dados do Banco Central apontam que até setembro os segurados da Previdência Social já deviam R$ 85,7 bilhões às instituições financeiras, um recorde. No ano, o volume total de recursos emprestados nessa modalidade de financiamento cresceu 11,2%. Educadores financeiros alertam que os interessados em contratar esse tipo de crédito devem ter cuidado para não cair em armadilhas.

Os novos limites de juros estabelecidos pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) para consignados passaram de 2,14% para 2,34% no empréstimo pessoal e de 3,06% para 3,36% nas operações realizadas por meio de cartões de crédito. Desde maio, o colegiado debatia uma alteração nas taxas. As instituições financeiras pleiteavam revisões de 2,48% e de 3,49%, respectivamente, mas os percentuais acertados foram definidos em uma proposta apresentada pelo Ministério do Planejamento.

Atualmente, os aposentados podem comprometer até 35% do salário com empréstimos consignados. Em setembro, a elevação de 30% para 35% foi aprovada pelo Congresso Nacional por meio da Medida Provisória n; 681. O texto definiu que o limite adicional deve ser usado, exclusivamente, para o pagamento das despesas contraídas por meio de cartão de crédito.

Na avaliação da professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Myrian Lund, por mais que as taxas do consignado sejam menores que as das demais modalidades de crédito, também são um perigo para orçamento dos aposentados. Na opinião dela, como a maioria dos aposentados vive com, no máximo, R$ 4.663,75 ; valor do teto de benefícios do INSS ; qualquer comprometimento do orçamento com parcelas provoca uma queda brutal de renda, por um período prolongado. ;Muitos fazem compromissos por três ou cinco anos e têm que viver com esse aperto;, detalhou.

Cuidados
Myrian recomenda que os beneficiários do INSS usem o consignado somente se tiverem uma emergência e, se possível, façam uma poupança para momentos de necessidade. Ela explicou que, como os custos sobem na velhice, sobretudo despesas com saúde, é necessário que os idosos administrem o orçamento com bastante cuidado. ;Fazer empréstimos para ajudar a família pode ser uma dor de cabeça. É necessário planejamento e rigor com a renda para evitar sustos;, comentou.

A educadora financeira da DSOP Teresinha Rocha também alertou que os aposentados não devem contratar empréstimos consignados para consumir. Segundo ela, o nível de endividamento dos idosos é alto no Brasil e muitos dependem das famílias porque não conseguem pagar as parcelas contratadas em empréstimos consignados. ;Bens de consumo ou até mesmo imóveis não devem ser alvo dos beneficiários do INSS porque a renda da maioria se limita à aposentadoria. Por isso, o consignado deve ser usado somente em uma emergência;, sugeriu.



Construção fechará
556 mil postos


O Brasil deve perder 556 mil postos de trabalho no setor de construção civil este ano, conforme estimativa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). Se confirmado, corresponderá a uma queda de 16,8% ante a 2014, e o estoque de trabalhadores do setor deve terminar o ano abaixo de 3 milhões. No acumulado de 2015 até setembro, a construção civil fechou 248,224 mil vagas e, até setembro empregava 3,070milhões de trabalhadores. Para o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, ;a falta de confiança dos investidores e das famílias, a escassez de lançamentos imobiliários e a ausência de licitações para novas obras de habitação social e infraestrutura sinalizam que a recessão se prolongará no ano que vem;.

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