Livre, mas longe das funções

Livre, mas longe das funções

Apesar de negar a prisão preventiva do policial federal que matou um homem e feriu outro em festa no Lago Paranoá, a Justiça o obrigou a entregar a arma e a ficar limitado a serviços administrativos. Uma das vítimas disse que ele não se identificou como agente

postado em 15/10/2016 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 9/10/16)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 9/10/16)

O Tribunal do Júri de Brasília negou ontem o pedido de prisão preventiva do policial federal Ricardo Matias Rodrigues. No sábado passado, o policial atirou contra dois homens durante uma festa na embarcação Lake Palace, ancorada no Setor de Clubes Norte. Uma das vítimas, Cláudio Müller Moreira, 47 anos, morreu. O juiz Paulo Rogério Santos Giordano decidiu, no entanto, que o agente deve ser afastado dos serviços na rua, tendo de entregar a arma e atuar apenas em serviços administrativos.

Na próxima semana, o promotor Leonardo Jubé, da 1; Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Brasília, pedirá novamente a prisão preventiva. Para ele, Ricardo praticou homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado. ;Ele atingiu, primeiro, o Fábio (da Cunha Correia, 36), no peito. Após isso, atirou contra o Cláudio, enquanto ele tentava fugir para fora do barco, tanto que a bala pegou na lateral do corpo dele;, contou o advogado de Fábio, Karlos Mares.


Segundo o defensor, a dinâmica do tiro é narrada em laudo do Instituto de Medicina Legal (IML). A reportagem, no entanto, não teve acesso ao documento. A Divisão de Comunicação da Polícia Civil informou que o delegado da 5; Delegacia de Polícia (Área Central) responsável pela investigação, não comentará o caso, por enquanto.

Versões
A promoter da festa no Lake Palace, Renata de Andrade Silva, casada com o policial federal Ricardo Matias, contou à polícia que Cláudio e a mulher, Valderly da Silva Feitosa, 30, se envolveram em uma confusão no fim do evento, por volta das 22h40, e deixaram o barco ; Valderly teria levado tapas no rosto ao sair do banheiro. Cláudio, então, retornou à embarcação acompanhado de Fábio ;como se estivesse muito furioso e quisesse tirar satisfações;. Renata conta que tentou conciliar a situação para mantê-los fora do barco, mas teria sido empurrada pelos homens com muita força. Nesse momento, o marido dela, o policial federal, veio em seu socorro e gritou: ;Polícia, fica aí!”.

Ainda segundo Renata, Cláudio estava revoltado e partiu para cima de Ricardo, que efetuou o disparo. Mesmo assim, Fábio, que acompanhava Cláudio, também avançou em direção ao marido dela, que, novamente, advertiu que estava armado. O homem não parou e também acabou atingido. Em depoimento, o policial confirmou a história.

Fábio prestou depoimento ontem na 5; Delegacia de Polícia e, segundo o advogado Karlos Mares, contou outra versão. ;A mulher do Cláudio se meteu em uma briga com a aniversariante da festa e levou um tapa. Mas, em nenhum momento, as vítimas estiveram em contato com a esposa do policial. O Cláudio entrou no barco para conversar com a mulher que agrediu a esposa e Fábio tentou impedi-lo, pois ele estava nervoso com a situação. No meio da confusão, do nada, o policial surgiu e atirou no peito do Fábio e, depois, em Cláudio. Em nenhum momento, ele tentou parar a confusão amigavelmente ou disse que era policial;, alegou o advogado.




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