Morte em Arniqueiras

Morte em Arniqueiras

» Paula Pires Especial para o Correio
postado em 28/03/2017 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

O desabamento da marquise de uma casa no Condomínio Girassol, no Setor Arniqueiras, em Águas Claras, a 19km de Brasília, matou um pedreiro e deixou outro ferido na manhã de ontem. A dupla trabalhava na obra da cobertura externa, apoiada à marquise, entre o primeiro e segundo pisos da residência. A obra não tinha autorização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-DF). O pedreiro José Nunes Barreto, 55 anos, conhecido como Piauí, morreu no local. Leonardo Luiz de Lima, 22, foi levado para o Hospital de Taguatinga com uma fratura na perna.

O acidente reacendeu as discussões sobre a realização de obras irregulares no Distrito Federal. A região onde aconteceu o desabamento é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e não poderia abrigar residências. Antiga colônia agrícola, o Setor Arniqueiras tem condomínios de alto padrão e não podem ser fiscalizados pela Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) por causa de uma liminar da Justiça de 2008. Mesmo assim, a Agefis esclareceu ;que obras recentes não serão toleradas e que a construção onde aconteceu o acidente será embargada;. Ainda de acordo com a Agefis, em 2016, a fiscalização proibiu 21 obras e cinco lotes foram notificados, com sete autos de infração e cerca de 500 relatórios fiscais feitos.

Risco
O Crea-DF recomenda que toda obra tenha um profissional habilitado para o desenvolvimento e acompanhamento do projeto. ;Com essa liminar, porém, o conselho está impedido de emitir Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) para esta área, impossibilitando o exercício profissional e colocando em risco a comunidade local;, explicou em nota.

O subsecretário da Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra, disse que o espaço na frente da casa onde ocorreu o desabamento ficará interditado até que o proprietário apresente projeto de demolição que não prejudique outras áreas da casa. ;O acesso pela lateral continuará liberado,; informou.

Morador da região há 10 anos, o servidor público aposentado Geraldo Farias, 70 anos, afirmou que muitas casas do condomínio não foram projetadas por engenheiros e arquitetos. ;Aqui, 99,9% dos proprietários dos imóveis são coniventes com construções irregulares e é por isso que essas tragédias acontecem;, ressaltou. O proprietário do imóvel não foi encontrado para comentar o acidente e o síndico do Condomínio Girassol se negou a falar com a reportagem.



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