13,5 milhões de desempregados

13,5 milhões de desempregados

» MARGARETH LOURENÇO - ESPECIAL PARA O CORREIO » MARLENE GOMES - ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 01/04/2017 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press)


O Brasil somou 13,547 milhões de desempregados no trimestre dezembro de 2016 a fevereiro deste ano. A cifra astronômica é a maior desde 2012, quando teve início a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número supera a soma da população da capital de São Paulo mais todos os moradores do Distrito Federal.

Ao exército de desempregados que o Brasil já possuía, acrescentaram-se 1,4 milhão de pessoas desde o trimestre anterior, setembro a novembro do ano passado, ou seja, um crescimento de 11,7%. Em relação a igual período de 2016, o aumento foi de 30,6% ou mais 3,2 milhões de pessoas à procura de trabalho. Ao mesmo tempo, o total de ocupados caiu 2% no período de um ano, o equivalente ao fechamento de 1,788 milhão de postos.

O percentual de desempregados apurado pela Pnad supera os 12,8% projetados, na semana passada, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), disse o economista da instituição Bruno Ottoni. Ele explicou que o dado apurado pelo Ibre é dessazonalizado, isto é, subtrai as ocupações temporárias do fim de ano. ;O aumento era esperado, considerando as dispensas dos trabalhadores contratados a partir de outubro;, afirmou.

Ottoni estimou que há a expectativa de um quadro lento e gradual de saída da crise. ;Influenciadas por um começo de melhora na economia, mais pessoas voltam a procurar emprego;, explicoui. Para o próximo trimestre, o especialista projetou que nada vai mudar. ;Apenas no segundo semestre a taxa de emprego voltará a crescer.;.

A promotora de vendas Paola Gomes dos Santos Farias, de 24 anos, torce para encontrar um novo posto no mercado de trabalho. Desempregada há quatro meses, ela procura vaga tanto na sua especialidade como de recepcionista, secretária ou assistente administrativa. ;A situação está difícil;, resumiu a jovem.

Recorde

Para o professor de economia da UnB Carlos Alberto Ramos, o novo recorde na taxa de desemprego reflete ;a falta de dinamismo do Produto Interno Bruto (PIB);. Ele avaliou que seria necessário um crescimento de 2% a 3 % do PIB durante vários anos para as taxas de emprego voltarem aos níveis do período antes da crise.

Temerosa em engrossar as estatísticas de desemprego, a psicóloga Elenice da Silva Morais, 33, já está distribuindo currículos. Apesar de trabalhar em uma clínica da Asa Norte, ela vislumbra problemas futuros no atual emprego devido ao divórcio dos proprietários. Precavida, a psicóloga se candidatou ;até a vagas para as áreas de contabilidade, administração e secretariado;.

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