Rio, uma "Casa de Doidos"

Rio, uma "Casa de Doidos"

postado em 15/04/2017 00:00


Em função da grande quantidade de demandas e políticos a serem atendidos ao mesmo tempo pelo Setor de Operações Estruturadas, o famoso ;departamento de propinas; da Odebrecht, a construtora deu à conta destinada a ;pagamentos extemporâneos; ao estado do Rio a rubrica ;Casa de Doidos;. A revelação é do executivo da Odebrecht Benedicto da Silva Júnior, em delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava-Jato.

;Tinha esse nome porque a gente dizia que o Rio de Janeiro era uma Casa de Doidos. Era uma conta que se usava para pagar várias coisas ao mesmo tempo;, disse. ;Era uma rubrica para pagar coisas extemporâneas;, explicou Silva Júnior, conhecido como BJ. Quando falou da ;Casa de Doidos;, BJ explicava os pagamentos que, segundo ele, foram realizados ao ex-secretário de Transportes do Rio Júlio Lopes. Segundo o executivo, Lopes recebeu em 2013 mais de R$ 6,5 milhões por meio de três codinomes. Foram R$ 1.105.900 na cota ;Pavão;, R$ 2.259.000 para ;Velho; e outros R$ 3.170.420 na rubrica ;Casa de Doidos;, segundo BJ.

Os pagamentos foram feitos naquele ano, segundo o delator, para garantir que Júlio Lopes ;não criasse problema; nas obras de construção da linha 2 do Metrô do estado. ;Aqui, o que posso assegurar é que o que ele acabou fazendo foi não gerar nenhum problema na gestão do dia a dia do Metrô linha 2, que era a coisa mais importante que estava acontecendo no Rio;, disse ao procurador da República que tomou seu depoimento.

Ele também relatou pagamentos em 2008 e em 2012 a serem repassados ao PP para que a legenda se mantivesse na base de apoio do PMDB. Júlio Lopes é descrito por Benedicto Júnior como a ;extensão dos braços; do hoje vice-governador do Rio, Francisco Dornelles. Na planilha que apresentou como ;prova de corroboração; de sua delação, BJ relata o pagamento de R$ 246,6 milhões, via caixa 2, a políticos de diversos partidos e estados de 2008 a 2014.

Entre eles estão quatro ex-governadores do Rio e o atual mandatário do Executivo fluminense, Luiz Fernando Pezão, e dois ex-prefeitos da capital, César Maia e Eduardo Paes, além do presidente da Assembleia Legislativa do estado, Jorge Picciani. Todos os citados por Benedicto negam irregularidades. A Agência Estado procurou o deputado Júlio Lopes, mas não obteve resposta.

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