Sem barreiras para a cura

Sem barreiras para a cura

postado em 25/06/2017 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

A troca de energia virtualmente é possível graças ao conceito de distância quântica. Quem explica é Lucila Turrini, diretora de cursos de ensino a distância (EAD) da Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos (Abrath): segundo ela, as terapias holísticas partem do pressuposto de que tudo se inter-relaciona ; incluindo nós, seres humanos. Nesse oceano energético, distâncias materiais seriam irrelevantes, uma vez que as energias se comunicam entre si, não importam onde estejam. ;Temos equipamentos e métodos que permitem fazer uma leitura do corpo vibracional do indivíduo sem ter que olhar para o corpo físico dele, detalha. ;Se tudo é energia e tudo vibra, então, tem uma frequência e posso mensurar.;

Após responder a uma série de perguntas, o cliente entra em contato com o terapeuta geralmente pela webcam. As informações servem para que o profissional avalie as queixas, a linguagem corporal, as microexpressões do paciente e as compare com a avaliação de seu campo vibracional. ;O trabalho é parecido com o de outros profissionais da saúde. A diferença é que o terapeuta holístico vai olhar a queixa em todas as suas vertentes, de questões biológicas a espirituais;, especifica Turrini.

Mariana Lyra, 28 anos, encontrou o tarô on-line por puro acaso. A nutricionista faz parte de um grupo de mulheres do Facebook em que uma taróloga da cidade oferece seus serviços. No anúncio, a possibilidade de ser atendida remotamente chamou a atenção de Mariana. A primeira consulta ocorreu em 2016. ;Nunca a encontrei pessoalmente, foi tudo por WhatsApp;, detalha. No aplicativo, o cliente faz as perguntas que quer que sejam exploradas durante a sessão, e a taróloga as responde por mensagens de texto ou de áudio.

O fato de não estar frente a frente com a taróloga não incomodou Mariana, que já se submeteu a outras sessões da terapia de forma presencial. ;No começo, foi meio estranho, mas me senti até mais confortável depois;, descreve. ;Como ela não me via, eu sabia que ela não estava lendo meu corpo e meus gestos, logo, não tinha como interpretar minha linguagem corporal.; A certeza de que não estava tendo seus movimentos ;interpretados; pela profissional, segundo Mariana, reforçou a credibilidade da sessão. ;Ela acertou muitas coisas sobre mim, informações pessoais mesmo, que não teria como ela saber;, reforça.

Quando foi atendida presencialmente, Mariana conta que não conseguiu acreditar completamente nas interpretações do terapeuta. ;Senti que a pessoa jogava uma ;isca; e, dependendo do que eu respondia, ele me conduzia e me dizia o que eu queria ouvir.; Outra vantagem para ela foi a coragem que só a internet proporciona. Não estar cara a cara com um desconhecido, diminuiu o constrangimento de falar da própria vida.

Ajuda combinada

Além da breve incursão no mundo das terapias holísticas on-line, Mariana faz psicoterapia presencial há cerca de um ano. ;Acho que as duas modalidades são complementares. Gosto da sensibilidade do holístico, que te vê como um todo e que te ajuda a perceber coisas que você talvez demore muito a perceber, só com a terapia;, pondera. ;O tarô me ajudou muito em algumas questões que acabei levando para a terapia. As duas são ferramentas para você se tornar agente da sua própria transformação. Senão, acabaremos dependentes de psicólogos, médicos, astrólogos, tarólogos e o que mais vier.;

A busca pelo divino e pela espiritualidade que a modalidade proporciona foi o principal chamariz para despertar em Bruna Benes a vontade de atuar como taróloga. À frente da empresa de atendimento on-line Sereia de Folga, ela conta que aprendeu a jogar as cartas pela internet. Hoje, ela atende os clientes por WhatsApp e Skype. ;Geralmente, o atendimento não é feito com vídeo. A pessoa escreve a pergunta, eu jogo o baralho e respondo por áudio;, descreve.

No começo, ela conta que a receptividade dos clientes era arredia. Desconfiados, não acreditavam que uma ;ferramenta tão mística;, como ela define, poderia ser usada virtualmente. ;Mas o tarô é uma ferramenta de autoconhecimento e eu sou a intermediária. Ele está conectado a todas as coisas.;

Retratos da consciência

Mírian Cunha Costa, 47 anos, acredita no poder da terapia, seja ela holística ou não. Além da psicoterapia (feita com psicólogos), Mírian procura alternativas à ;medicina tradicional; para se entender e se desenvolver como pessoa. ;Tenho o compromisso comigo mesma de sair dessa encarnação melhor do que entrei;, justifica. Para ela, o desenvolvimento espiritual e emocional é uma tarefa, algo laboral, que precisa ser trabalhado e lapidado constantemente. ;Não adianta você procurar terapias sem se responsabilizar pelo seu próprio desenvolvimento. Não tem como terceirizar, colocar na mão de outras pessoas, na fé ou em algo externo.;

Este ano, Mírian experimentou uma terapia chamada ;Desenho d;alma;, feita pelo computador. Nela, o terapeuta, por meio de uma meditação especial, canaliza as energias do paciente e as transforma em mandalas. O objetivo é que o desenho atue de maneira inconsciente, desatando os nós espirituais e existenciais da pessoa permanentemente: basta olhar para a imagem de tempos em tempos para garantir que o problema não retorne mais. ;Eu não entendi direito no começo, não é nada convencional;, confessa Mírian. ;Mas logo na primeira sessão, já senti algo diferente.;

Antes de começar a sessão, geralmente feita com a ajuda de aplicativos com chamada de vídeo, Mírian conta que o paciente é orientado a meditar, com a ajuda do terapeuta. É durante a meditação que o interessado dá ao prestador do serviço a permissão para ;acessar; a leitura da alma. Juntos, eles identificam quais pontos emocionais e até físicos precisam ser trabalhados. Chamados de bloqueios de energia, esses pontos se materializam na forma de desenhos. ;A partir do momento em que ele começa a desenhar, é como se fosse te limpando por dentro.;

Quando procurou a terapia dos desenhos pela primeira vez, Mírian passava por problemas amorosos. Ela conta que o trabalho identificou bloqueios energéticos entre o estômago e a garganta. ;Ele estava certo. Parecia uma coisa parada, uma ;bola; na garganta;, conta. ;O meu relacionamento acabou de forma muito bruta e eu não tinha conseguido falar tudo o que eu queria. Literalmente, estava com o término preso na garganta.; Até mesmo questões de vidas passadas foram abordadas durante as sessões, que são feitas com o paciente sempre consciente, ou seja, sem recursos como hipnose.

A cada novo processo, Mírian diz sentir q

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