Londres lembra os 20 anos sem Diana

Londres lembra os 20 anos sem Diana

postado em 31/08/2017 00:00
 (foto: 
Kirsty Wigglesworth/AFP
)
(foto: Kirsty Wigglesworth/AFP )

O Palácio de Kensington, no coração de Londres, revive desde ontem as imagens de 20 anos atrás, quando súditos e turistas cobriram o gramado frontal com buquês de flores, balões em forma de coração e mensagens em homenagem à princesa Diana, a ;rainha dos corações;, morta em 31 de agosto, em Paris, em um acidente de carro. A imagem eternizada de Lady Di, aos 36 anos, recém-divorciada do príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, revive também na reverência dos filhos, William e Harry, os meninos cuja dor comoveu o mundo e que, agora adultos, encarnam o futuro da monarquia.

As homenagens foram sóbrias, se comparadas ao megashow beneficente de 10 anos atrás, no Estádio de Wembley. William, acompanhado da mulher, Kate Middleton, e do irmão caçula, visitou o jardim cultivado em Kensington em memória de Diana, com predominância de flores brancas, plantadas este ano para lembrar a princesa na casa onde viveu seu conto de fadas. Para simbolizar o compromisso com o legado da mãe, os príncipes se reuniram com organizações de caridade patrocinadas por ela. Também cumprimentaram as pessoas que foram aos portões do palácio e depositaram buquês recebidos do público.

;Vim aqui, há 20 anos, com minha mãe e meu filho, que agora tem 21;, lembrou Stephanie Davinson, professora, 52, que enfrentou a chuva de ontem para deixar seu buquê. ;Fiz isso pelos filhos dela, que seguem o seu caminho. Acredito que há muito dela neles;, acrescentou. Foi apenas em julho, em documentário exibido pela emissora britânica ITV, que os príncipes quebraram o silêncio mantido por duas décadas e falaram das lembranças pessoais que guardam da mãe. ;Harry e eu sentimos intensamente que queremos celebrar sua vida;, disse William, 35.

Ele e o irmão substituíram Diana como alvo dos tabloides, assim como nas causas abraçadas por ela: da luta contra as minas terrestres até a defesa dos sem-teto, passando pela atenção às pessoas com transtornos mentais. A jovem professora de 20 anos que encantou o mundo ao se casar com o herdeiro de Elizabeth II tornou-se a imagem de uma instituição milenar em transformação profunda. Tornou-se amiga de celebridades, abraçou pacientes com Aids, questionou em público as tradições da realeza e, no fim da vida, encarnou a imagem de uma mulher independente.

A influência de Diana sobre a monarquia continuou mesmo após a morte, o que arranhou gravemente a imagem da dinastia Windsor. A rainha Elizabeth II foi especialmente penalizada pelos súditos, que reprovaram a aparente insensibilidade à morte da ex-nora e à dor dos súditos. Foi a intervenção do premiê Tony Blair que convenceu a soberana a pronunciar-se, dias mais tarde, quando o país vivia o luto de uma semana pela princesa

Forçada a se modernizar, a família real saiu fortalecida justamente na trajetória dos herdeiros de Lady Di. Hoje, a soberana é mais respeitada do que nunca, no momento em que seu reinado bate recordes de longevidade. William, Kate e seus dois filhos levaram vida ao Palácio de Buckingham. Charles, hoje divorciado da segunda mulher, Camila Parker Bowles, prepara-se para ascender ao trono.

Tragédia

O acidente de 20 anos atrás no túnel sob a Ponte D;Alma, em Paris, matou Diana e o namorado, o produtor de cinema egípcio Dodi Al-Fayed, além do motorista, Henri Paul. Uma investigação da Justiça francesa concluiu, em 1999, que o motorista perdeu o controle do carro quando dirigia em alta velocidade para despistar os fotógrados paparazzi que seguiam a princesa. O pai de Dodi, o bilionário Mohamed Al Fayed, dono do Hotel Ritz Paris, denunciou uma conspiração do MI6, serviço de inteligência britânico, a mando do ex-sogro de Diana, o príncipe-consorte Philip ; versão rechaçada pela polícia.

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