Selic pode cair mais

Selic pode cair mais

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 13/12/2017 00:00

O controle da inflação e a permanência dos juros em um patamar baixo no longo prazo dependem da aprovação da reforma da Previdência e da continuidade dos ajustes econômicos. O recado foi transmitido na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada ontem. O Banco Central (BC) também voltou a sinalizar que poderá cortar os juros em 0,25 ponto percentual, para 6,75% ao ano, no próximo encontro, marcado para 6 e 7 de fevereiro. Além disso, a equipe de Ilan Goldfajn deixou a porta aberta para uma outra redução em março de 2018.

Tamanha é a preocupação do BC com o avanço da emenda constitucional que altera as normas para concessão de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que a palavra ;reformas; foi citada em sete parágrafos da publicação. Na ata anterior foram seis menções ao tema. Além disso, a equipe de Ilan Goldfajn voltou a ressaltar que o pior dos cenários seria a não aprovação da reforma e a deterioração do ambiente internacional, que, por enquanto, se mantém favorável ao Brasil e as economias emergentes.

A possibilidade de aprovação da reforma, entretanto, levou o BC a manter a porta aberta para um corte em fevereiro e possibilidade de realizar outro em março. Conforme a publicação, houve consenso entre os diretores de manter a liberdade de ação, mas mostrar que o atual estágio do ciclo recomenda cautela. As sinalizações da autoridade monetária foram bem recebidas pelo mercado e diversos analistas reforçaram a aposta de que os juros podem chegar a 6,75% e até mesmo a 6,5% ao ano em 2018.

Ciclo

Na avaliação do diretor de Estudos e Pesquisas Econômicas do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, a ata do Copom reforçou a expectativa de um novo corte de juros em fevereiro, de 0,25 ponto percentual. Para ele, o BC sinalizou que o comportamento da inflação segue favorável, enquanto há elevada ociosidade da economia. ;Isso tende a manter a trajetória de inflação compatível com a meta no horizonte relevante da política monetária e é compatível com os juros em patamar expansionista;, afirmou.

Para Barbosa, se o cenário evoluir conforme o esperado, com inflação ancorada e sem surpresas negativas, o BC deverá promover uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária em sua próxima reunião. Além disso, ele detalhou a equipe de Ilan Goldfajn manteve a porta aberta para novos cortes após fevereiro, apesar de admitir que o momento é de cautela. ;Por isso, mantivemos nosso cenário de Selic, com queda para 6,75% em fevereiro próximo, e elevada probabilidade de manutenção nesse patamar ao longo de 2018;, disse.

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