Rebelião faz reféns em presídio no Rio

Rebelião faz reféns em presídio no Rio

postado em 19/02/2018 00:00
Dois dias após a decretação da intervenção federal na área de segurança pública do Rio, detentos da Penitenciária Mílton Dias Moreira, em Japeri, na Baixada Fluminense, iniciariam ontem uma rebelião e tomaram sete guardas da prisão como reféns. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), até o fechamento desta edição, três deles estavam em poder dos rebelados. Três detentos foram feridos.

Segundo a Seap, os agentes foram rendidos durante a contagem dos presos por detentos que portavam dois revólveres e uma pistola. Após a deflagração da rebelião, a Seap emitiu uma alerta para todas as unidades prisionais do estado do Rio, que abrigam 51 mil detentos. O presídio Mílton Dias Moreira tem capacidade para884 presos, mas tinha, em janeiro, 2.027 detentos.

Mais cedo, a Seap havia informado que as ;medidas de controle; foram tomadas antecipadamente nas penitenciárias por causa da intervenção federal. Conforme a secretaria, a rebelião começou após inspetores de segurança e administração penitenciária frustrarem, à tarde, uma tentativa de fuga. O Grupamento de Intervenção Tática (GIT) da Seap foi enviado ao local, assim como o Batalhão de Choque e diversas unidades da Polícia Militar (PM). Ambulâncias também se dirigiram ao presídio local para socorrer os feridos.

Antes de estourar a rebelião, a Seap havia explicado que medidas de controle; haviam sido antecipadas ;na intenção de evitar qualquer reação da população carcerária; à intervenção. Questionada, a assessoria de imprensa da Seap não explicou quais seriam essas ações.

Regalias
O secretário de Administração Penitenciária, David Anthony Gonçalves Alves, assumiu a pasta em 24 de janeiro, após a exoneração do coronel Erir Ribeiro, acusado de conceder regalias ao ex-governador Sérgio Cabral, então preso em Benfica.

A intervenção federal no Rio abrange o sistema prisional, mas, neste domingo, o Comando Militar do Leste informou que as Forças Armadas só começarão as ações após o decreto do presidente Michel Temer ser aprovado no Congresso, o que pode ocorrer até amanhã.

Ao longo do dia de ontem, tropas das Forças Armadas não foram vistas fazendo patrulha nas ruas da cidade. O policiamento regular, porém, parecia mais reforçado do que no período do carnaval. Segundo a assessoria de imprensa da PM, o policiamento do fim de semana teve 5.757 agentes como reforço. A operação já estaria prevista por causa dos desfiles de blocos carnavalescos.

Assalto
Apesar do reforço no policiamento, o domingo teve vários casos de viol}encia. Três pessoas ficaram feridas e duas morreram em uma tentativa de assalto no bairro de Bangu. Uma das vítimas foi o sargento Cristiano das Neves Souza, que estava de folga. Na Zona Norte, o traficante Vítor Roberto da Silva Leite, conhecido como Da Mamãe, foi morto em um tiroteio com a PM no morro Jorge Turco, que apreendeu uma granada e um fuzil na comunidade. Em retaliação, um ônibus foi queimado próximo ao local.





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