Uma missão complicada

Uma missão complicada

postado em 27/05/2018 00:00
 (foto: Evaristo Sá/AFP - 9/12/17)
(foto: Evaristo Sá/AFP - 9/12/17)



Na quinta-feira passada, o Correio Braziliense promoveu o seminário ;Correio Debate: Fake news ; o impacto das notícias falsas na democracia; para discutir os desafios do combate aos conteúdos fraudulentos. O evento contou com a presença de especialistas e autoridades, como o ministro da Justiça, Torquato Jardim, numa tentativa de desenvolver estratégias para as eleições de 2018.

;É necessário traçar o perfil do receptor que dará credibilidade à mensagem falsa sem conferir de onde ela veio. Evitar que a má informação distorça o resultado final. É preciso definir o que é racionalidade e o que é emoção;, ressaltou Torquato Jardim. ;Quem propaga fake news tem algum resultado à vista. Raramente isso é involuntário. Ninguém manipula informação sem querer gerar consequências, apenas pelo prazer de criar confusão. Verdade e realidade são duas palavras que terão importância daqui para a frente.;

Para Frederico Meinberg, promotor de Justiça e coordenador da Comissão de Proteção de Dados Pessoas do MPDFT, esse tipo de informação é só parte de um mecanismo. Além das notícias falsas, há hackers e, principalmente, ferramentas de redes sociais, como o impulsionamento de conteúdo, que podem representar um grande risco à democracia. ;Sempre digo que fake news são só 25% do problema. Nessas eleições, hackers e impulsionamento de conteúdo vão ter mais peso;, destacou.

Atualmente, existem ao menos 14 projetos que buscam a criminalização de quem produz e difunde as fake news no país. Meinberg, contudo, afirmou não acreditar em consequências no âmbito penal, mesmo com as eleições tão próximas. ;Tenho arrepio só de pensar em criminalização de fake news. O debate precisa ser mais amplo, abranger investigações de outros tipos de crime, como injúria racial, tráfico de drogas e pedofilia;, exemplificou.

Paulo Fona, secretário de Estado de Comunicação do GDF, ponderou que o Brasil vai precisar trabalhar intensamente no combate às notícias falsas, porque ;dificilmente; conseguirá acabar com elas. Para o especialista, cada indivíduo com um smartphone tem potencial midiático nas redes sociais, por isso, é tão difícil lutar contra esses agentes de conteúdo. ;Esse universo é mutante e, além de tudo, é uma plataforma em que internautas colocam suas opiniões. A linha entre repreender as fake news e a liberdade de expressão é tênue. Não há, até agora, um instrumento concreto de defesa;, lamentou.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação