Rebelião dos trabalhadores

Rebelião dos trabalhadores

postado em 26/09/2018 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Candidato a governador do Distrito Federal, Antonio Guillen (PSTU) disse ontem, em entrevista ao CB.Poder ; parceria do Correio com a TV Brasília ;, que o salário mínimo deve sofrer um reajuste substancial. ;Defendemos um salário mínimo de R$ 3,8 mil, que atenda as exigências da Constituição para uma família se manter;, criticou. Identificado como socialista, Guillen defendeu que os conselhos populares se organizem e lutem por direitos políticos. ;As eleições acabando, a classe trabalhadora deve se rebelar;, afirma. ;A classe trabalhadora precisa fazer protestos contra a reforma da Previdência, contra a retirada de direitos. Esse é o caminho.;, incentivou.


Como avalia a rejeição à esquerda?
Depois de alguns anos de governo do PT, infelizmente, aqueles políticos que prometiam a política que realmente beneficiasse os trabalhadores acabou governando para o alto empresariado, inclusive envolvendo-se em escândalos de corrupção. Isso trouxe um desgaste e permitiu o crescimento da direita. O principal responsável por isso é o PT.

Qual o principal adversário na disputa ao Palácio do Buriti?
Todos os outros candidatos vão manter o status atual, que significa aplicar o ajuste fiscal sobre os servidores, não dar reajuste, porque existe uma Lei de Responsabilidade Fiscal, não ter uma política séria de investimento em moradias populares, continuar o processo de terceirização de ataque à classe trabalhadora. As eleições acabando, a classe trabalhadora deve se rebelar.
O que seria se rebelar?
O que a gente viu hoje em Brazlândia. Vimos a população sofrendo uma política de redução de ônibus, e ela foi obrigada a ir à rua garantir seus direitos. O trabalhador pouco importa para o governo e para os patrões; portanto, a classe trabalhadora precisa fazer protestos contra a reforma da Previdência e a retirada de direitos. Esse é o caminho.

Mesmo que, para isso, acarrete em violência?
A principal violência é do Estado e dos empresários. Um trabalhador que não tem ônibus pode ser demitido do trabalho e sua família passar fome. A classe trabalhadora tem todo o direito de se manifestar. O nosso objetivo é que os trabalhadores se organizem para serem ouvidos. Se for necessário fazer isso, que o façam.

Qual seria o primeiro ato do senhor como governador?
Uma das primeiras será interromper os leilões da Terracap. O GDF tem o maior estoque de terra urbana e rural dada às grandes empreiteiras de forma aparentemente ilegal. Os trabalhadores não têm direito para adquirir essas terras. Vamos usar a Terracap para dar casas populares.

O ex-governador Joaquim Roriz, de certa forma, fez isso. O senhor concorda com essa política?
Roriz era a mãe dos pobres ou o pai dos ricos. Dava com uma mão e tirava com a outra. As áreas mais nobres ficavam com o alto empresário. Ele dava terra pública em forma de lotes sem nenhum apoio de construção.

Se ganhar o pleito, o senhor aumentará o salário dos servidores?
É possível conceder o reajuste. Vamos fazer cumprir as últimas leis aprovadas, como o pagamento da terceira parcela e estabelecer uma mesa de negociação, com data-base do funcionalismo público, além de procurar atender às demandas dos sindicatos.

Em outras ocasiões, o senhor defendeu zerar as tarifas do transporte. Como fazer isso?
A proposta é intervir nessas empresas. Cancelar a licitação, que demonstrou ser fraudulenta, estatizar as empresas e fazer com que elas passem a ser governadas pela TCB. Além disso, vamos baixar tarifa e chegar a um sistema de custo, que se autofinancia, retirando o lucro dos empresários.

Dá para ganhar uma eleição sem o apoio dos servidores públicos?
Os servidores públicos são importantes, prestam um serviço relevante, atendendo às mais diversas situações, mas são responsabilizados de forma equivocada, porque, o que existe, é um sucateamento nas empresas públicas, falta equipamentos nas escolas e na saúde, problema de efetivo na polícia. Mas os servidores são parte dos trabalhadores fundamentais e que precisam ser valorizados. Os demais trabalhadores é que ganham mal. Por isso, defendemos um salário mínimo de R$ 3,8 mil, que atenda as exigências da Constituição.


Pergunta dos telespectadores

Quais são as propostas para melhoria da educação?
A principal proposta nossa é que o governo aumente o investimento em educação. Passe de 25% para 30% e invista, principalmente, na escola de tempo integral.

Por que a desmilitarização da polícia é uma das propostas fortes do PSTU nestas eleições?
Porque esse modelo de uma polícia ostensiva, violenta, fracassou. Não resolveu o problema da violência. A proposta nossa é de que a população controle a polícia e tenha o direito à autodefesa.

O que o senhor pretende fazer com os ambulantes do centro de Ceilândia?
Respeitar essa população, que, em geral, são trabalhadores que estão desempregados, ver alguma forma de garantir renda a eles e procurar ter uma política que gere milhares de empregos.


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