A força do nome

A força do nome

Mitsubishi apresenta o Eclipse SUV com sobrenome Cross. O motor é turbo e tem excelente nível de equipamentos de segurança. O utilitário coupé tem tudo para se destacar como o esportivo

Geison Guedes Especial para o Correio
postado em 04/10/2018 00:00
 (foto: Mitsubishi/Divulgação)
(foto: Mitsubishi/Divulgação)


Porto Alegre (RS) ; Exemplos não faltam. Como o Chevrolet Camaro, o Volkswagen Fusca e Voyage, o Dodge Challenger e o Fiat 500, a indústria automotiva busca reviver o sucesso de carros clássicos aperfeiçoando o modelo, ainda que tenha sido aposentado. A base quase sempre é a mesma, mas o nome é a chave de tudo. Ao associar um veículo atual a um sucesso do passado, a tendência é de que o novo também tenha boa aceitação.

A Mitsubish, no entanto, ressuscitou apenas o nome, uma lembrança distante do que foi o esportivo que encantou o mercado brasileiro nos anos 1990. A expectativa dos aficionados foi grande acerca do renascimento do modelo. Mas o saudosismo foi por água abaixo quando a montadora apresentou o primeiro teaser do modelo ; um SUV. O visual coupé pode até ser considerado uma homenagem ao passado, embora seja a tendência atual do mercado. Em duas opções (4x2 e 4x4), o carro parte de R$ 149.990, está em pré-venda e chega às lojas brasileiras no início de novembro. O novo Eclipse ganhou o sobrenome Cross.





Impactante
Podemos buscar diversos adjetivos para descrever o design do SUV, mas o que melhor lhe cabe é ousado. A dianteira é grande, robusta e impactante como vem sendo apresentada nos irmãos Outlander e ASX, com dois grandes detalhes cromados, um conjunto óptico diferenciado (as setas estão incorporadas às luzes de apoio e não aos faróis, como de costume) e detalhes em black piano, a frente do carro se mostra intimidadora. Nada comparado à traseira.

Por ser coupê, o teto é inclinado para trás, além disso, a montadora resolveu adotar um vidro traseiro duplo, com uma faixa luminosa dividindo-os. O design pode parecer estranho, mas é bastante funcional, só perceptível ao volante. A leve inclinação sugeriria pouca visibilidade traseira, mas o vidro superior aumenta o campo de visão do motorista e se mostra muito útil. Outros destaques visuais com funcionalidade são os retrovisores. Ao contrário do comum, eles não foram alocados na coluna A, mas sim, nas portas, com isso, o campo de visão lateral do condutor também foi otimizado.

Ao contrário do exterior, o interior é bem mais sóbrio. O visual é mais clássico, sem muita ousadia. O destaque fica pela grande tela da central multimídia de sete polegadas. O console central é elevado, deixando tudo à mão. O acabamento é refinado e muito benfeito, com couro legítimo e plásticos macios ao toque, sem rebarbas ou peças mal-encaixadas. O espaço traseiro é muito bom e, até um quinto ocupante viaja com certo conforto, lógico que o ideal são quatro, como de costume, mas uma quinta pessoa não irá sofrer muito. O porta-malas tem um tamanho comum, 473 litros.





Coração novo
Não é só o visual do Eclipse Cross que é ousado, o conjunto mecânico também. O coupê é o primeiro SUV da marca ; pelo menos no Brasil ; a contar com motor turbinado movido a gasolina (os propulsores diesel contam com turbocompressor há um bom tempo). A montadora escolheu utilizar uma caixa de força de 1.5 litros turbo que gera bons 165 cavalos e 25,5kgfm de torque. O problema fica pela transmissão, a nova CVT. Mesmo sendo um ótimo câmbio contínuo variável, ele continua sendo um CVT.

A caixa é bem menos ruidosa (ponto para a Mitsubishi), mas, naturalmente, demora a responder aos comandos do acelerador. No anda e para da cidade, esse ;defeito; é imperceptível. O problema está na hora que precisa de força, como em uma ultrapassagem, retomada ou saída em velocidade. O motor é muito bom e mostra força suficiente para puxar o veículo ;, principalmente por trabalhar em baixas rotações (em 2.000rpm já está com o torque todo disponível) ;, mas o câmbio faz com que as manobras sejam feitas com um cuidado maior, pois demora um pouco a responder os comandos do acelerador.

Durante o lançamento do modelo, feito em Porto Alegre e na Serra Gaúcha, rodamos na versão topo de linha, com a tração S-AWC (segundo a Mitsubishi, um sistema de controle dinâmico integrado ao 4WD, que garante uma rodagem ainda mais segura em qualquer tipo de piso. Com um acoplamento eletromagnético, ele controla automaticamente a distribuição de torque entre os eixos dianteiro e traseiro e as quatro rodas). Dessa forma, são três tipos de condução, Auto (que o sistema trabalha de forma automática para otimizar a tração), Snow (para terrenos muito escorregadios, para o Brasil seria o modo lama) e Gravel (para pistas mais acidentadas e com bastante cascalho solto).

Durante cerca de 100 quilômetros entre a capital e a serra gaúcha, rodamos por trechos de serra, de cidade, fora de estrada e rodovias. Em todos o Eclipse Cross se comportou muito bem (tirando o pequeno detalhe do câmbio). A suspensão se mostrou firme e confortável. Além disso, o forte motor trabalha bem, conseguindo otimizar o delay natural da transmissão, o motorista não passa sufoco. Nos trechos de terra, o sistema S-AWC mostrou que funciona bem, tracionando as rodas na medida certa.

Completíssimo
As duas versões do Eclipse Cross são praticamente idênticas, a única diferença é que uma é 4x2 e a outra 4x4, com o sistema S-AWC. De resto, elas são completamentes iguais. Com isso, todos os itens de conforto e seguranças presentes em uma, estão na outra. A HPE-S de entrada custa R$ 149.990 e a topo sai por R$ 155.990. Elas são equipadas com faróis e lanternas em LED, teto solar duplo com abertura elétrica do frontal, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, de chuva e crepuscular, câmera de ré, abertura das portas e partida sem a chave, retrovisores elétricos com rebatimento, head-up display, central multimídia com tela de sete polegadas, conexão via smartphone, aplicativos nativos e duas entradas USB.

As versões ainda contam com ar-condicionado digital e dual zone, mas sem saída para a parte de trás, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold (que, quando ativado, deixa o carro freado sem pisar no pedal), banco do motorista com ajuste elétrico, auxiliar de partida em rampa, sensor de ponto cego, alerta de tráfego traseiro, controles de tração e estabilidade, piloto automático adaptativo, auxiliar de frenagem de emergência, aviso de saída de faixa de rolamento, seis airbags e Isofix. Resumindo, tem praticamente tudo no quesito segurança, conforto e comodidade.

* O repórter viajou a convite da Mitsubishi




Ficha técnica

Motores:
1.5 turbo, 165cv a 5.500rpm e torque de 25,5kgfm a 2.000rpm (g)

Dimensões: 4.405mm de comprimento; 1.805mm de largura; 1.685mm de altura e 2.670mm de entre-eixos

Transmissão: automática de 8 velocidades

Direção: elétrica

Porta-malas: 473 litros

Suspensão:

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