"Ninguém vai mandar em mim"

"Ninguém vai mandar em mim"

Advogado rebate acusações do adversário, Rodrigo Rollemberg, de que nomes da tradicional política do DF conduzem sua campanha

» Alexandre de Paula
postado em 10/10/2018 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Ibaneis Rocha (MDB) garantiu ontem, em entrevista ao programa CB.Poder ; parceria do Correio com a TV Brasília ; que terá total autonomia para governar o Distrito Federal caso consiga vencer a disputa pelo Palácio do Buriti. ;Tenho autenticidade naquilo que faço e ninguém vai mandar em mim de maneira nenhuma;, assegurou. As declarações foram uma resposta às críticas feitas pelo adversário Rodrigo Rollemberg, que tenta a reeleição pelo PSB e enfrenta o emedebista no segundo turno. O socialista foi entrevistado pelo CB.Poder na segunda-feira e disse que nomes como o do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (MDB) estão por trás da candidatura do advogado.

Para Ibaneis, as críticas de Rollemberg são motivadas pela alta rejeição ao governo. ;Ele, sim, é um político do passado, que já ficou no passado. Ele teve mandato de toda natureza e chegou ao governo do DF e não conseguiu realizar aquilo a que se propôs;, disparou o advogado.

O ex-presidente da OAB-DF disse não ter definido ainda se apoiará alguém para a Presidência da República. ;Quero saber primeiro qual é a proposta do candidato a presidente para a minha cidade.; Ibaneis, no entanto, fez elogios a Jair Bolsonaro (PSL). ;Eu me identifico com muitas das propostas que estão colocadas no seu programa de governo. Ele foi um parlamentar que manteve posição. Tem propostas claras em defesa da família e da segurança que me agradam muito;, comentou.

Confira os principais trechos da entrevista.

Confira os principais trechos da entrevista.


O senhor disse ser contra a reeleição. Caso eleito, não vai tentar um segundo mandato?
Eu vou trabalhar durante todo o meu mandato com o Congresso Nacional para que a gente acabe com a reeleição. Acho que o mandato correto seria de cinco anos. Você recebe um orçamento do governador anterior e muitas coisas terá de ajustar. Então, com essa mudança, você teria mais tempo para trabalhar e depois seguir na política, se quiser, ou então se recolher. Vou trabalhar muito para acabar com a reeleição, mas temos uma cidade que está bastante abandonada e eu não quero assumir esse compromisso ainda porque tem muita coisa para ser feita no Distrito Federal. Eu vou me esforçar o máximo para não ter que ir para a reeleição. Eu não acredito nesse instituto.

Por quê?
Porque você passa a pensar muito mais na política do que naquilo que você tem que realizar como governante. Fica muito mais preocupado em fazer alianças, em vender uma imagem que não é a realidade. Governar é governar mesmo. Você tem que assumir compromissos não com a sua próxima eleição, mas sim com aquilo que tem de fazer durante o mandato.

O senhor foi considerado um fenômeno nacional por esse crescimento, saiu de 2% nas pesquisas para 41,97%. A que atribui isso? Ao tempo de televisão, aos recursos investidos?
Desde o ano passado, quando me propus a entrar na política, eu trabalho muito com pesquisas. Gosto de sentir e ver o sentimento das pessoas. Todas as pesquisas qualitativas apontavam que a população do DF queria uma renovação. Então, consegui levar esse sentimento ao povo durante a campanha. Para esse crescimento conta tudo. Conta a cobertura da imprensa, que é muito maior do que o tempo de televisão. Conta minha história de vida, de uma pessoa que vem de família humilde, não tradicional do DF. Conta o fato de ter nascido aqui. Conta a minha trajetória como profissional liberal. Isso tudo demonstra para população uma proposta nova que não vem da política tradicional. A questão dos recursos ficou mais ou menos igualada porque vários candidatos tiveram acesso a dinheiro dos partidos. Recurso em campanha só serve para levar a mensagem ao eleitor. Fiz muito disso pessoalmente.

Rollemberg bate muito na sua proposta de se apresentar como novo e lembrou de alianças suas com nomes como o do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (MDB). Como o senhor responde?
A política de renovação está acontecendo no Brasil todo. Tivemos grandes lideranças que perderam as eleições neste ano. O governador está procurando esse ataque rasteiro diante da baixa popularidade dele e da rejeição. Ele, sim, é um político do passado, que já ficou no passado. Ele teve mandato de toda natureza, chegou ao governo do DF e não conseguiu realizar aquilo a que se propôs. Faltou a ele competência. Ele não é do ramo. Isso está mais do que comprovado.

Em 2014, o senhor defendeu a contratação pela Polícia Civil de aprovados em concurso mesmo tendo condenação criminal. Na época, o senhor defendia um dos envolvidos na morte do Índio Galdino. Como governador, manteria a mesma posição?
Existe um equívoco muito grande. Esse rapaz era menor e cumpriu medida socioeducativa. Ninguém é condenado até o fim da vida. Eu vou defender, sim, o direito de todos se reinserirem. Temos 15 mil presos, imagina se todos eles não tiverem trabalho? Se for para ser assim, vamos colocar pena de morte e condenar todos até o fim da vida; Não fui advogado na época do crime, uma das maiores violências no DF, mas não misturo isso com o direito de ele ter uma vida normal depois de cumprida a pena.

O senhor defende que as delegacias fiquem abertas 24 horas. Qual será o custo e há necessidade para todas as regiões?
Vou sentar com os policiais civis e avaliar qual região tem a situação mais grave. Conforme o orçamento for melhorando, vamos reabrindo. Isso vai se dar ao longo do ano pegando primeiro aqueles locais onde o crime é mais violento. Vamos fazer isso com a contratação de policiais civis que aguardam ser convocados por concurso e criando gratificação para trabalharem no dia de folga, já que eles têm escala de 24h por 72h. Precisamos recompor também quadros de peritos. A previsão nossa ; fechando as nossas divisas e melhorando a eficiência tributária ; é colocar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões no orçamento. Vamos também captar recursos federais, ao contrário do que o governador vem fazendo.

Como o senhor avaliou a composição da nova Câmara Legislativa?
Vi muita gente boa sendo eleita. Alguns, mesmo fora da nossa coligação, já haviam declarado apoio a nós. Calculo que, com um relacionamento direto e honesto, vamos conseguir fazer um trabalho muito interessante para o DF. Mas os deputados não precisam imaginar que vão chegar pedindo cargos nas administrações e nas secretarias, porque não vamos trabalhar assim.

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