Visto, lido e ouvido

Visto, lido e ouvido

Circe Cunha (interina) / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 28/10/2018 00:00

Vamos para casa

Dos centenas de milhares de vídeos que circulam pelas redes sociais e que mostram cenas de um Brasil popular, que resolveu sair às ruas a partir de 2013, um, em especial, tem chamado a atenção de muita gente, principalmente daqueles brasileiros que lutam desesperadamente para criar e educar filhos adolescentes, num país conturbado por divisões e manifestações políticas de toda ordem. No vídeo, capturado durante manifestação ocorrida nas ruas de São Paulo, um pai reconhece, em meio à turba agitada, seu filho, com o rosto parcialmente encoberto por uma espécie de balaclava improvisada feita com a própria camiseta. Sem se intimidar com a massa de revoltosos, o pai retira o menino, à força, do meio da agitação, enquanto justifica sua ação firme: ;Ele é meu filho! Ele é meu filho!”, sai exclamando.

Diante de uma situação tão inusitada como essa, nem Salomão, com toda a sua sabedoria, conseguiria um argumento para condenar a atitude protetora desse pai. Por instinto, pais sabem e pressentem que revoluções são alimentadas pela explosão de hormônios, combustíveis naturais para as manifestações, elevando a temperatura dos protestos ao ponto de fusão. O forte odor da adrenalina, exalada no ar pelas ruas enfurecidas, incendeia os corações dos moços que buscam uma revolução por um idealismo inconformista. Acontece que, no quebrar da esquina, as forças de segurança do Estado estão a postos, armadas até aos dentes. De repente, hormônios podem ser transformados em sangue derramado pela calçada. Revoluções existem para cobrar vidas. Sempre foi assim em todo tempo e lugar.

De repente, lentes e microfones dos repórteres que cobriam a manifestação passam a focar a discussão carregada de sentimentos íntimos entre um pai aflito e seu filho. ;Eu quero um governo certo, diz o rapaz.; ;Deixa eu protestar.; ;Deixa eu correr atrás dos meus direitos;, argumenta o rapaz. Num gesto brusco, o pai retira a balaclava que cobria o rosto do filho e volta a dizer: ;Você é meu filho, vamos para casa;.

Nessa altura, o que era uma manifestação de protesto vira questão de família e incômoda. Os manifestantes, diante de um cena tão impensada, começam a pedir ao pai que libere o filho para que os protestos possam seguir. A revolução reclama por carne humana. O que para alguns poderia ser uma cena de profundo constrangimento expõe, com clareza, o drama vivido em muitos lares brasileiros, invadidos, da noite para o dia, pela propagação das ideologias do ódio, pregadas por abutres políticos que não se importam em pavimentar sua estrada para o poder com os cadáveres de muitos. Revolucionário de verdade, naquela cena, era esse pai que teve a coragem e a ousadia para a enfrentar sozinho as dezenas de manifestantes raivosos que, como robôs, gritavam palavras de ordem.

Por certo, e é seguro dizer, o rapaz tinha suas razões em protestar contra um governo que reduziu toda uma nação a pedaços. De fato, havia ardor revolucionário dos dois lados desse conflito. No entanto, o amor paterno falou mais alto e calou fundo no coração de muitos. ;Vamos para casa, meu filho;, encerrou o pai.

A frase que não foi pronunciada
;A escuridão não pode expulsar a escuridão: apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio: só o amor é capaz disso.;

Martin Luther King Jr.

PJC

; Mais um texto saboroso do professor Paulo José Cunha. Fala sobre o tempo e o boato na corrida eleitoral e as medidas pouco eficazes na luta contra essa arma digital. Leiam no Blog do Ari Cunha.

Passo

; Enquanto os impostos, as taxas e as contribuições sobem vertiginosamente, a prestação de serviços, como segurança,


Vida


; Tetra Pak Brasil apresenta websérie sobre histórias de vida daqueles que atuam com reciclagem no país. Além de apresentar a cadeia da reciclagem, a consciência ambiental e a educação complementam as diferentes formas de reaproveitamento e mostram o lado social da prática. Vejam no Blog do Ari Cunha.

História

; Faz 12 anos que a então senadora Heloísa Helena acumulava informações com a mesa tomada de documentos sobre a CPI do Mensalão e esbravejava: ;Se tivessem quebrado o sigilo dessa CPI, os beneficiários teriam sido identificados;. Nos dias de hoje, as coisas estão bem mais fáceis.

Pensamento

; Falando em passado, talvez Joaquim Barbosa tenha desistido da campanha eleitoral pelo mesmo motivo que Nelson Jobim. Tempos atrás, quem alertou Jobim foi o ministro Marco Aurélio. Ele declarou: ;A toga não pode ser utilizada como trampolim para alcançar cargo político;.

História de Brasília

; Depois que o sr. Wilson Calmon assumiu a 4; Secretaria, a Câmara dos Deputados passou a editar, diariamente, um boletim informativo para os deputados, contendo uma compilação de todo o noticiário nacional e internacional dos maiores jornais do país. (Publicado em 2/11/1961)saúde e educação, rola ladeira abaixo. Se a primeira impressão é a que fica, o novo governo vai ter muito trabalho.

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