Novo software utiliza equações mais simples

Novo software utiliza equações mais simples

postado em 24/12/2018 00:00
Devido às variadas possibilidades de movimento dos fótons, dependendo do ambiente, os cálculos que traduzem o fenômeno para o computador podem ser bem pesados. É por isso que o uso da luz em animações é ainda muito limitado, já que apenas máquinas muito potentes podem suportar programas com essa complexidade numérica. Contudo, o novo software de animação desenvolvido surpreendeu pesquisadores do campo ao utilizar equações simples para resolver problemas de iluminação em cenas animadas.

A resposta proposta pela equipe da Faculdade de Dartmouth e de outras universidades está em um processo chamado renderização. O procedimento funciona como uma finalização para produções digitais, baseada em fórmulas físicas e cálculos matemáticos que guiam alguns fenômenos na realidade. É como se cada interação de um desenho animado fosse traduzida para um novo idioma, o das leis da física observadas no mundo real. Conforme explica Arttur Espindula, professor do Departamento de Fotografia e Cinema da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em animação digital, a complexidade do procedimento pode atrasar a produção de uma animação. ;Um processo de renderização dura de segundos a semanas, depende do que está sendo tratado. No caso de uma nuvem animada, imagine ter que processar cada uma das partículas que a compõem. Levaria uma semana inteira;, diz.

O tempo de renderização proposto pela equipe norte-americana foi o que surpreendeu Espindula. No artigo que apresenta o software, os autores citam que conseguiram aumentar em 23 vezes a velocidade da etapa de finalização. ;Com isso, podemos renderizar uma nuvem em menos de um dia. Sem falar que esse valor de 23 vezes vale especificamente para esse caso, com toda a sua complexidade. Imagine para outros objetos volumétricos menos difíceis de reproduzir;, diz Espindula.

De acordo com o especialista, a rapidez poderia economizar tempo de trabalho, pessoas envolvidas no processo, e o gasto com computadores, uma vez que a produtora não precisará de máquinas tão potentes para processar os cálculos que a equipe estadunidense montou.

Ainda assim, Espindula pontua que os pesquisadores precisarão equilibrar o ganho de velocidade com a redução de prejuízos na imagem final gerada. Baseados em um trabalho anterior, os pesquisadores norte-americanos concluíram que os ruídos gerados na animação pelo processo ; isto é, a interferência ; não diminuíram, mesmo que a renderização tenha se tornado mais rápida.

;Quando você tira uma foto na câmera, percebe alguns pequenos grãos coloridos, como de areia, todos com cores presentes na própria foto. Isso é ruído, produzido por um efeito na lente da câmera. Já nos programas, o que gera esse ruído são os algoritmos, então, é necessário ficar atento. Se o estudo mostra que os níveis de renderização são rápidos, ótimo, mas se não consegue resolver alguns ruídos ; uma vez que é impossível eliminar todos ;, é um pouco limitado;, ressalta o especialista. (GB)

Real e virtual
A relação da luz com o ambiente pode ser ainda mais difícil de lidar em filmes que juntam, na mesma cena, objetos criados por animação gráfica e atores reais. É o que acontece em produções famosas como Vingadores Guerra Infinita (2018) e Jurassic World (2015). Nesses casos, os produtores precisam levar em conta que os fótons interagem entre os objetos reais e os animados, exigindo cálculos e programas diferentes das animações mais comuns.

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