Facada, protesto e 10 escolas militarizadas

Facada, protesto e 10 escolas militarizadas

No dia seguinte à decisão do governador de implementar a gestão compartilhada em escola de Samambaia, aluno é esfaqueado na porta do centro de ensino. Colégios que não tiveram a rejeição ao modelo respeitada fizeram manifestações

ALAN RIOS ANA VIRIATO CAROLINE CINTRA
postado em 20/08/2019 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

As duas escolas que funcionarão sob a gestão compartilhada com a Polícia Militar à revelia dos resultados de consultas públicas tornaram-se palco de manifestações no dia seguinte ao anúncio da medida pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Ontem, professores e alunos do Centro Educacional Gisno, na Asa Norte, abraçaram simbolicamente o colégio e criticaram a postura do chefe do Palácio do Buriti. Na contramão, com cartazes e faixas, pais e estudantes do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 407 de Samambaia defenderam a militarização ; cerca de cinco horas após o ato, um aluno recebeu uma facada na saída do colégio (leia reportagem abaixo, à direita).

A polêmica não se restringiu às escolas. Em uma visita à Câmara Legislativa para a entrega do projeto que cria a Secretaria Extraordinária da Pessoa com Deficiência, Ibaneis discutiu com o distrital Fábio Félix (PSol) após ouvir que deveria honrar o resultado das votações. ;Um governador que se encastela e tapa os ouvidos para a divergência é um exemplo do que tanto tememos em tempos de crise na democracia: autoritarismo;, criticou o parlamentar, em nota.

Apesar das críticas, Ibaneis se manteve irredutível. ;Os índices escolares e de criminalidade apontam o sentido da necessidade da gestão compartilhada. Infelizmente, durante o processo, o sindicato (dos Professores) e a esquerda fizeram política e se esqueceram da população;, alfinetou. ;As consultas públicas continuarão a ser feitas, mas para a informação da sociedade, e não com caráter de eleição. É como ir ao médico: ele dá o diagnóstico e você escolhe se segue a orientação ou não. Quem estiver insatisfeito, que vá à Justiça;, afirmou.

O placar das duas votações terminou apertado no sábado. No CEF 407 de Samambaia, 77,55% dos profissionais rejeitaram o modelo. Entre pais e estudantes, 60,32% disseram ;sim; à militarização. O placar final registrou 58,49% dos votos válidos contra a mudança. No Gisno, 67% dos professores, assistentes e temporários, e 54,7% dos alunos e responsáveis posicionaram-se pela rejeição à gestão compartilhada. No agregado, 57,66% barraram o projeto.

No mesmo dia, três escolas apoiaram a militarização: o CEF 19, em Taguatinga; o CEF 01, no Núcleo Bandeirante; e o CEF 01, no Itapoã. Consultado no último dia 10, o Centro Educacional Condomínio Estância III, em Planaltina, também aderiu à gestão compartilhada. No total, a capital conta com 10 escolas sob o novo formato de gestão.

No detalhe
; Com o convênio firmado entre as secretarias de Educação e de Segurança Pública, as unidades de ensino terão acrescido aos nomes o termo Colégio da Polícia Militar e serão submetidas à gestão compartilhada

; Cada unidade deve receber de 20 a 25 militares ; PMs ou bombeiros na reserva ou sob restrição médica

; A Secretaria de Educação continua responsável pela parte pedagógica, enquanto os militares ficam com a gestão de aspectos disciplinares, administrativos e contraturno

; As escolas seguirão as Diretrizes Curriculares da Educação da rede. Contudo, PMs ministrarão disciplinas relativas à cultura cívico-militar, como ética e cidadania, musicalização, esportes e ordem unida

; Os alunos receberão uniformes diferenciados produzidos pela
Fábrica Social

; Meninas deverão usar coques, e meninos, cabelo curto

; Os responsáveis poderão acompanhar o dia a dia dos estudantes na escola por por um aplicativo, que vai informá-los sobre frequência dos alunos, horários de entrada e saída, comportamento e desempenho escolar

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