Tragédia exposta no exame do Pisa

Tragédia exposta no exame do Pisa

Exame internacional aplicado a estudantes do ensino fundamental deixa o país nas últimas colocações entre uma lista de 79 nações. Maioria dos jovens brasileiros tem dificuldade para interpretar textos e resolver problemas matemáticos. Ministro culpa o PT

Augusto Fernandes Catarina Loiola*
postado em 04/12/2019 00:00
 (foto: José Cruz/Agência Brasil )
(foto: José Cruz/Agência Brasil )


"(O Pisa é) integralmente culpa dessa doutrinação esquerdófila sem compromisso com o ensino, que quer discutir sexualidade e não quer ensinar a ler e escrever;

Abraham Weintraub, ministro da Educação

Mais de 50% dos jovens brasileiros com 15 anos de idade têm dificuldades para ler e assimilar o conteúdo de um texto. Ao mesmo tempo, dois terços não sabem interpretar uma questão matemática e resolvê-la. Os números, que fazem parte do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), referência mundial, escancaram os problemas do sistema de educação básica do Brasil que, em 2018, foi um dos 25 piores dentre 79 nações avaliadas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A prova, aplicada a cada três anos a estudantes de todo o mundo matriculados a partir do 7; ano do ensino fundamental, mediu o desempenho de 10.691 alunos brasileiros em leitura, matemática e ciências. Segundo os resultados, 43,2% dos adolescentes de 15 anos no país sabem menos que o básico em todos os componentes. Em contrapartida, apenas 2,5% dos estudantes alcançaram níveis altos de proficiência em pelo menos uma disciplina.

Apesar de ter demonstrado uma pequena evolução em comparação ao exame de 2015, o Brasil acumulou resultados inferiores à média dos países da OCDE. No ano passado, o país registrou 413 pontos em leitura; 384, em matemática; e 404, em ciências. Enquanto isso, a média dos 37 países da OCDE foi de 487, 489 e 489 pontos, respectivamente. A distância do Brasil para a China, nação melhor avaliada no ranking, é gritante: no Pisa de 2018, os asiáticos alcançaram 555, 591 e 590 pontos, na sequência.

Dos países latino-americanos que aplicaram o teste, Chile, México, Uruguai e Costa Rica superaram o Brasil nos três quesitos. A Colômbia obteve resultados melhores em matemática e ciências, enquanto o Peru venceu o Brasil apenas em matemática. Os demais ; Argentina, Panamá e República Dominicana ; tiveram notas inferiores às dos estudantes brasileiros.

Doutrinação

Segundo o ministro da Educação, Abraham Weintraub, os resultados são ;integralmente culpa do PT; e ;na média; são ;uma tragédia;. ;(O Pisa é) integralmente culpa dessa doutrinação esquerdófila sem compromisso com o ensino, que quer discutir sexualidade e não quer ensinar a ler e escrever;, atacou. O ministro defendeu que o Brasil depende de um trabalho em conjunto com estados e municípios para sair da estagnação, e alertou que ;estamos com o mesmo desempenho, estatisticamente, de 2009;.

Para Alexandre Lopes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as políticas adotadas nos últimos anos não surtiram efeitos suficientes para garantir resultados nas avaliações do Pisa. ;A gente está andando de lado, não está evoluindo. É difícil piorar, porque a gente já está no final da tabela;, disse.

As estatísticas reveladas pelo sistema de avaliação demonstram falhas no processo de alfabetização dos brasileiros, criticou o presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Ademar Pereira. ;De verdade, estamos ruins. Muitas escolas não ensinam os alunos a ler no 1; ano do ensino fundamental e os empurram para a série seguinte, sem que eles saibam decodificar quase nada. Mais à frente, isso resulta nos casos de abandono escolar;, comentou. ;Não temos uma perspectiva muito boa. É necessário modificar os métodos de ensino, sobretudo para leitura, essencial para qualquer disciplina;, acrescentou Pereira.

Prova disso é a professora de português Denise França, 30 anos. Há uma década na profissão, ela garante que a maior dificuldade de seus alunos está relacionada à interpretação de texto. ;A cada dia temos alunos que sabem tudo sobre redes sociais, mas não entendem o que estão lendo;, diz.

*Estagiária sob a supervisão de Odail Figueiredo




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