Mortes no DF caem 12,9% em 2019

Mortes no DF caem 12,9% em 2019

Para o secretário de Segurança Pública, quedas nos índices mostram trabalho eficaz da pasta. Em relação ao feminicídio, cenário é diferente, com aumento de 15,4% em relação a 2018

ALEXANDRE DE PAULA FERNANDO JORDÃO
postado em 08/12/2019 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
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(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )

À frente da Secretaria de Segurança Pública desde o início do mandato do governador Ibaneis Rocha (MDB), Anderson Torres faz uma análise positiva dos resultados da pasta ao fim do primeiro ano no cargo. ;Estatisticamente e faticamente, Brasília está mais segura;, diz, em entrevista ao Correio. Ele destaca as quedas de 12,9% no número de mortes no Distrito Federal ; de 458 para 399 ; e de 12,7% nos crimes contra o patrimônio ; de 47.886 para 41.788. Os dados contabilizam ocorrências de janeiro a novembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2018. ;No DF, nós temos uma população que aumenta, um efetivo menor e uma quantidade de crimes diminuindo. Isso não é fácil. Isso é um reflexo da estratégia, da inteligência e da tecnologia;, afirma.

Apesar da redução nos níveis gerais, os casos de feminicídio cresceram. De janeiro a novembro deste ano, foram registrados 30 casos, contra 28 em 2018, um aumento de 15,4%. ;Para o ano que vem, acredito que o grande desafio é apostar na prevenção, realizando palestras de conscientização. Precisamos plantar isso na sociedade e mostrar, desde cedo, que o caminho (do crime) não é esse;, explica.

Na avaliação do secretário, uma das principais dificuldades do primeiro ano foi lidar com as rixas históricas entre as instituições das forças de segurança da capital. ;Mostrar que não existe essa coisa de cada um faz o seu e acabou. Isso foi muito difícil. É uma cultura muito arraigada aqui no DF, nas forças. Mas acho que estamos vencendo isso, e as pessoas estão entendendo;, avalia.

Para Torres, no Brasil, o gargalo da segurança pública está na dificuldade em lidar com criminosos após as prisões. Ele entende que há erros na soltura de presos em determinados casos, mas também defende que deter e não oferecer possibilidade de ressocialização efetiva é ineficiente. ;O Brasil precisa parar e discutir o que fazer do momento da prisão em diante.;

Confira os principais trechos da entrevista:

Diante dos números, o grande desafio ainda é o feminicídio?
Neste ano, não alterou muito, mas foi um número superior ao do ano passado. Eu atribuo esse aumento a uma questão cultural, como o machismo, o preconceito e as inversões culturais. Além disso, também há a especificação das investigações. Eu acredito que, a cada dia, as investigações conseguem provar que os crimes, realmente, têm caráter de feminicídio. Para o ano que vem, acredito que o grande desafio é apostar na prevenção, realizando palestras de conscientização. Precisamos plantar isso na sociedade e mostrar que o caminho não é esse. O menino, desde pequeno, precisa aprender que a mulher não é propriedade. As coisas mudam, e nós precisamos auxiliar nisso.

Esse trabalho precisa de todas as outras pastas do governo. Essa integração está acontecendo?
Sem sombra de dúvidas. É um assunto debatido por todas as pastas aqui do DF. O trabalho começou pela criação da Secretaria da Mulher, que realiza os acolhimentos e que tem uma importância muito grande nesse trabalho. Todas as pastas falam disso, a Secretaria da Educação e a Defensoria Pública, o que ajuda. Nós estamos começando a criar essa cultura.

O feminicídio também é uma questão nacional, que vai além do DF?
Eu acho que nós temos condições de chegar em um total de zero feminicídios. Porque isso é uma questão muito cultural. No Rio de Janeiro, o número que nós temos em um ano, às vezes, ocorre em um dia. E, digo mais, isso ocorre no Brasil diante de um cenário que não se especializou. Brasília está muito avançada na questão da especialização da investigação. Na nossa gestão, isso virou emblemático.

Os homicídios saíram de 716, em 2014, para 374, neste ano. A que o senhor atribui essa queda sequenciada no número de casos?
Nós estudamos aquela questão das manchas criminais para direcionar os efetivos. Desde o princípio, nós conseguimos atingir quase 100% daquilo que eu acho ideal, que é colocar a PM na rua e diminuir o expediente administrativo. Nós estamos com um efetivo de 1,5 mil policiais a mais nas ruas. No DF, nós temos uma população que aumenta, um efetivo menor e uma quantidade de crimes diminuindo. Isso não é fácil. Isso é um reflexo da estratégia, inteligência e tecnologia. É claro, nas regiões mais violentas do DF nós ainda precisamos evoluir muito, como no Sol Nascente, no Pôr do Sol, na Estrutural. Além disso, a desarticulação das organizações criminosas é muito importante. Grande parte desses homicídios se dão a partir de conflitos entre gangues do tráfico.

Havia o temor de que a vinda de líderes de organizações criminosas para o DF fosse causar aumento no número de crimes. Isso se concretizou?
O temor não era só de aumentar esses crimes (letais), mas também os crimes contra patrimônio, porque eles precisam de dinheiro para fomentar as respectivas quadrilhas. Desde que eles chegaram, a Polícia Civil começou a monitorar, com a realização de três operações no DF, para prender essas pessoas. A ideia é não deixar isso se estruturar aqui. O pessoal da Polícia Civil teve de se empenhar muito nesse trabalho de inteligência. Se eles se estruturarem aqui, observando outras capitais do país, aí os resultados os senhores já conhecem.

Neste primeiro ano, quais foram as principais dificuldades e os gargalos da gestão?
O primeiro foi fazer as pessoas entenderem as instituições e os atores da segurança pública que precisavam trabalhar de forma integrada, mostrar que não existe essa coisa de cada um faz o seu e acabou. Isso foi muito difícil. É uma cultura muito arraigada aqui no DF, nas forças. Acho que estamos vencendo isso, e as pessoas estão entendendo que as polícias precisam se unir, que o Corpo de Bombeiros precisa estar junto, o Detran também.

Como está a questão dos reajustes para a Polícia Civil e para os militares? Houve reclamação dos militares sobre a proposta apresentada...
A questão do reajuste é muito difícil. Os valores são muito altos, e o DF está em crise. O governador tinha o compromisso de campanha, e nós conseguimos fechar isso. Nós também vivemos um momento antagônico na questão do aumento, porque queremos dar a reposição

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