Está no DNA

postado em 02/02/2014 00:00
 (foto: Aline Massuca/Globo)
(foto: Aline Massuca/Globo)

Prestes a completar 40 anos, cerca de 30 deles dedicados ao ofício de atriz, Gabriela Duarte passa a segurança de ter vivido o suficiente para saber exatamente aonde deseja chegar. Depois de fazer uma breve participação na novela Amor à vida e reaver seu espaço no humorístico Junto & misturado, ambos da Globo, hoje a atriz diverte-se ao interpretar oito personagens no programa Amor veríssimo, do canal GNT (TV paga), mas ressalta estar sofrendo de ;síndrome de abstinência do teatro;. Filha de Regina Duarte, casada com o fotógrafo Jairo Goldflus e mãe de Manuela e Frederico, ela tem cerca de 10 novelas no currículo. Começou a se destacar na TV aos 15 anos, na minissérie Colônia Cecília (Band), e nunca mais parou de trabalhar. Em 2010, atingiu o sucesso popular ao interpretar a perua Jéssica, em Passione.

Em seu mais recente trabalho, Amor veríssimo, que conta histórias de amor em diferentes idades e situações, você está em oito dos 13 episódios. Em cada um deles, você interpreta uma personagem. Como é essa aventura?
É uma personagem por dia, imagine (risos). Todas diferentes entre si. Isso é bacana porque como artista eu não me contento em interpretar uma personagem que não seja uma grande invenção. Em outras palavras, busco possibilidades de me transformar exatamente em outra pessoa para embarcar nessa brincadeira. Isso é o grande barato da profissão. E posso dizer que foi uma das coisas mais divertidas e legais que fiz em minha carreira.

Por falar em diversão, recentemente você voltou a fazer a série Junto & misturado. Como você lida com o humor?

Em Amor veríssimo, temos humor característico dos textos do Luís Fernando Veríssimo, que envolve o cotidiano e até o absurdo, em situações que olhamos e dizemos: ;Nossa, isso já aconteceu comigo ou é passível de acontecer comigo;. É um humor sutil, com o qual me identifico muito. É o tipo de que eu mais gosto e, por isso, fiz.

E o humor invadindo a internet com canais exclusivos no YouTube? Como você vê isso?
É um outro caminho para mostrar seu trabalho, sem dúvida, com muita liberdade e autonomia. No caso da TV aberta, existe uma obrigação maior de cuidar do conteúdo. Afinal de contas, ela está sujeita a diversos públicos. Já no caso da internet, você se senta, escolhe e clica onde quiser. E acho que a gente precisa disse e merece isso. É mais uma opção, na verdade. Sou totalmente a favor da liberdade. As pessoas têm de escolher o que querem ou não ver. Ninguém precisa fazer isso por você.

No ano passado, você gravou Amor veríssimo e Junto & misturado com intervalos de pouco mais de uma semana entre um e outro. Nessa agitação do dia a dia, como fica a família? Você leva as crianças para a gravação?
Não. Por acaso, eu faço exatamente o contrário do que minha mãe fez (risos). Ela me levava muito com ela, assim como meus irmãos. Já eu sou uma mãe que prefere deixar as crianças no canto delas, porque acho que precisam ter rotina. Por isso, vou pro Rio de Janeiro, gravo e volto para São Paulo para revê-los, em vez de colocá-los debaixo do braço e levá-los comigo.

E apesar de todo esse cuidado você disse recentemente que sua filha, Manoela, está se interessando por artes, certo?
Eu acho que é nato, sabia? (risos). Só pode ser! Ela tem uma naturalidade com a coisa da expressão e da comunicação que surpreende. Isso é da pessoa, e ela tem. Está na família (risos). Mas, por outro lado, conheço tantas crianças que não têm pais artistas e que acabam seguindo a profissão. É uma facilidade e necessidade de se expressar impressionante. E Manu tem uma coisa aí, um DNA, talvez (risos).


O ano passado foi bastante agitado com Amor à vida e as duas séries. O que você planeja para os próximos meses?
Pretendo fazer teatro. Neste momento, eu me sinto em falta e acho que estou com síndrome de abstinência do teatro (risos). Quero montar um texto que encontrei e achei interessante. A peça mais recente que fiz, A garota do adeus, ficou apenas três meses em São Paulo porque meu filho, agora de 2 anos, tinha 2 meses na época. Preciso voltar a fazer uma coisa que me alimente. Depois do carnaval, vou me dedicar mais a essa ideia.

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