Correio Econômico

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Até quando?

por Vicente Nunes / vicentenunes.df@dabr.com.br
postado em 26/06/2014 00:00
Rombos nas contas externas sempre causam incômodo naqueles que ainda mantêm vivas na memória as lembranças das crises cambiais que roubaram anos de crescimento do Brasil. E não foi diferente nesta semana, quando o Banco Central informou o tamanho do buraco nas transações correntes do país nos cinco primeiros meses do ano: US$ 40 bilhões ; um recorde para o período.

Preocupante, o número concentrou as atenções. Uma análise mais profunda do balanço de pagamentos brasileiro revela, contudo, que a deterioração das contas externas é mais profunda do que se imagina. A piora está explícita no que o Banco Central chama de indicadores de solvência, índices que mostram o nível de endividamento externo e a capacidade do país para lidar com choques externos.

De 2012 para cá, enquanto a dívida externa bruta do Brasil aumentou US$ 13,8 bilhões, as reservas internacionais, que funcionam como um seguro anticrise, caíram US$ 4,4 bilhões pelo conceito de caixa, que exclui os empréstimos em dólares concedidos pelo BC. Se os parâmetros de comparação forem as reservas pelo conceito de liquidez (que incluem os empréstimos) houve um aumento, mas pequeno, de apenas US$ 540 milhões.

Assim, diz Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor da Área Externa do BC, há o risco de, num futuro próximo, o Brasil deixar de ser credor internacional ; fato que levou o ex-presidente Lula a rufar tambores ; para se tornar meramente devedor em moeda estrangeira. No fim de 2012, as reservas internacionais superavam a dívida externa bruta em 21%. Em maio deste ano, a diferença já estava em 16%: US$ 379,1 bilhões (conceito de liquidez) contra US$ 326,7 bilhões.

Outro dado inquietante: no encerramento do segundo ano de mandato da presidente Dilma Rousseff, os serviços da dívida externa (parcelas e juros pagos ao longo de 12 meses) consumiam 22,3% do total das exportações do país. Agora, essa relação está em 32,5%. ;Isso mostra que estamos gerando menos receitas com a venda de produtos ao exterior e tendo despesas maiores com dívidas. Não se trata de um quadro confortável;, admite Freitas.

Na avaliação de técnicos do BC, é visível que, ;na margem;, os indicadores de endividamento externo pioraram. Mas, ressaltam, o conjunto dos números ainda aponta um país robusto, que nada tem a ver com aquele Brasil dos anos de 1980 e 1990, em que um espirro no mercado internacional provocava um terremoto da economia, com direito a calote na dívida.

Os mesmos técnicos lembram que o fato de as reservas internacionais estarem praticamente estáveis no conceito de liquidez é reflexo das incertezas em torno da política monetária dos países desenvolvidos, mais precisamente dos Estados Unidos. Sabe-se que, em algum momento, o Federal Reserve (Fed), o BC norte-americano, terá que elevar os juros, o que atrairá boa parte dos recursos que hoje inundam os países emergentes, entre eles, o Brasil, que paga as maiores taxas reais do planeta.

Essas incertezas não só escassearam a oferta de dólares no país, como obrigaram o BC a anunciar, em agosto de 2013, um mega programa de intervenção no câmbio, que se estenderá ao menos até o fim deste ano. ;Mas que fique claro, o presidente do BC, Alexandre Tombini, já avisou que a política de reforço das reservas cambiais não está encerrada;, frisa um dos técnicos da autoridade monetária.

Ajuda da
contabilidade


; Não custa ressaltar que, para comprovar que o Brasil ainda continua credor internacional, o Banco Central desconta da dívida externa bruta os empréstimos intercompanhias. Essas operações, fechadas entre as sedes de multinacionais e as filiais brasileiras, totalizam US$ 191,5 bilhões. Se esse valor fosse adicionado aos US$ 326,7 bilhões usados pelo BC para a comparação com as reservas internacionais de US$ 379,1 bilhões, a dívida bruta total do país chegaria a US$ 518,2 bilhões.

Regras
do FMI


; O BC justifica que, ao abater as dívidas intercompanhias do total da dívida externa do Brasil, segue os parâmetros do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esses débitos têm características híbridas. São, ao mesmo tempo, considerados investimentos estrangeiros diretos (IED), já que podem ser convertidos em participações acionáriass, e financiamentos, pois, em algum momento, terão de ser pagos, inclusive com juros.

Efeito nulo
na inflação


A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) garante que a decisão do governo de zerar o imposto incidente sobre o trigo terá impacto quase nulo nos preços dos derivados do grão e, claro, na inflação. No caso do pão francês, o trigo responde por apenas 14,2% do custo total. Nos demais produtos que têm o grão como matéria-prima, tal relação é ainda menor, de 3,7%. O que realmente interfere nos preços são os custos da mão de obra e da energia elétrica.

Sucessão
familiar


; O empresário Ueze Zahran, dono da Copagaz, contesta nota de ontem da coluna e afirma que, optará, sim, por uma sucessão familiar no comando da empresa, quando não tiver mais condições de tocá-la. Isso, afirma, está sendo tratado com suas três filhas. Zahran ressalta que, prestes a completar 90 anos, está cheio de disposição para tocar o projeto de ampliação da companhia.

Avanço
para o Norte


; O dono da Copagaz destaca que a empresa acaba de chegar à Bahia, completando, assim, 21 estados em que a marca se faz presente. A meta, agora, é avançar para a região Norte. Em 2013, a distribuidora de botijão de gás faturou R$ 1,3 bilhão, aumentando sua fatia no mercado de 7,5% para 8%.



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