Marina critica rede de boatos e mentiras

Marina critica rede de boatos e mentiras

Candidata à Presidência acusa adversários de promoverem "espetáculo degradante" e diz que a Petrobras está sendo destruída por denúncias de corrupção e uso político

postado em 08/09/2014 00:00
 (foto: Leo Cabral/Fotos Públicas)
(foto: Leo Cabral/Fotos Públicas)

Um dia depois de defender o ex-companheiro de chapa Eduardo Campos das acusações de envolvimento com o suposto esquema de propina na Petrobras, a candidata à Presidência Marina Silva elevou o tom contra os adversários. Ela associou a citação do nome de Campos à série de ;mentiras; que circulam sobre o posicionamento dela acerca do pré-sal. ;Na campanha eleitoral, sou caluniada e acusada de ser contra este patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada por todos os meios, a Petrobras é destruída pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção;, reclamou a candidata do PSB, durante caminhada no Parque da Independência, em São Paulo.

Em referência a Eduardo Campos, a ex-senadora acriana disse confiar nas investigações. ;Vamos reagir conversando com as pessoas e fazendo tudo até com muita tranquilidade, porque nós somos democratas e acreditamos na democracia;, disse ao jornal O Estado de S. Paulo. O candidato a vice Beto Albuquerque se posicionou em defesa do aliado histórico. ;Queremos a verdade. A verdade jamais atrapalhará quem está embuído de mudar o Brasil. O Eduardo morreu por uma fatalidade. Não podemos deixar que ele morra agora por uma leviandade;, afirmou.

Durante caminhada no Parque da Independência, Marina reforçou a promessa de manter os programas sociais do governo PT, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. A candidata ouviu e respondeu eleitores, posou para fotos e pediu ajuda aos presentes. ;Tudo que for bom será mantido;, anunciou. Ela cumpriu a agenda de campanha ao lado de Albuquerque e do ex-deputado federal Walter Feldman.

;Falso respeito;

Vítima de ataques durante o horário eleitoral, na semana passada ; ela chegou a ser comparada aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor ;, Marina Silva classificou de ;degradante espetáculo político; os movimentos recentes do PT e do PSDB contra ela. ;A sociedade brasileira está assistindo a um degradante espetáculo político inédito: PT e PSDB irmanados na determinação de nos destruir, não importam os meios. Desde o falso respeito e admiração no início da campanha até os ataques caluniosos diretamente proferidos pela nossa adversária do PT [Dilma Rousseff] em sua propaganda na tevê e a impressionante mobilização de exército de propagadores de calúnias, mentiras e distorções nas redes sociais;, diz o texto.

Ela voltou a defender a exploração do pré-sal depois de ser acusada pela presidente de Dilma de abandonar os planos de uso do petróleo dessas áreas. Mas, de acordo com ela, as operações devem ser feitas com responsabilidade e competência. Para Marina, a Petrobras fica à mercê das vontades políticas dos governantes. ;Nesta velha política, as prioridades e conquistas do povo são tratadas como favores de grupos poderosos que mantêm a nação cativa de seus interesses e de sua impressionante teia de protegidos e cúmplices no assaltos aos bens públicos. O maior exemplo disso é a Petrobras;, afirmou a candidata.


PALAVRA DE ESPECIALISTA

Denúncias consistentes

Num primeiro momento, é possível dizer que as denúncias parecem mais bem fundamentadas no caso da Petrobras do que no do mensalão. E um dos indícios é claro: quem está fazendo a denúncia, o ex-diretor Paulo Roberto Costa, entrou no esquema de delação premiada e só poderá ser beneficiado se, efetivamente, as denúncias estiverem bem embasadas. Isso parece ser diferente do mensalão. Não que aquele primeiro não tivesse fundamento, mas, pela própria natureza de quem denunciou, os casos apresentaram morfologia diferente. Outro aspecto a ser analisado são os efeitos sobre as eleições. O mensalão começa em 2005 e as eleições foram em outubro de 2006. Agora, estamos a um mês do pleito. Os dois escândalos mostraram que iam fundo, são pesados. Esse, talvez vá ainda mais longe. Mas, independentemente de afetar ou não o resultado das eleições, terá desdobramentos, como teve o mensalão. Teremos de aguardar um pouco mais para apontar melhor possíveis desdobramentos.

Rui Tavares Maluf, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo

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