Luciano Resende, 38 anos

Luciano Resende, 38 anos

Familiares e amigos se despedem hoje, no Cemitério Campo da Esperança, do consultor e empresário brasiliense, vítima de um câncer no cérebro

ROBERTA PINHEIRO KELLY ALMEIDA
postado em 19/03/2015 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Ele gostava de montar e desmontar as coisas. Quando pequeno, Luciano Tahan Cury Teixeira de Resende, 38 anos, surpreendia os familiares com a televisão toda desfeita. Engenhoso, por volta dos 17 anos, criou uma empresa de consultoria em informática. Há um ano e meio, decidiu mudar de ramo. Associou-se ao sogro e montou uma academia em Águas Claras. Seja como consultor, seja como empresário, Luciano manteve a simplicidade e a responsabilidade para conquistar e executar com perfeccionismo os planos de vida.


A vontade de vencer sempre esteve presente, mesmo quando veio a notícia de um câncer no cérebro. ;Ele não desistiu em nenhum momento. Foi forte. Estava muito consciente e firme em suas decisões;, disse uma das irmãs de Luciano, a jornalista Lilian Tahan, 36. A mulher dele, Flávia Duarte, jornalista, também ressaltou a coragem com que ele lidou com a doença. ;Ele enfrentou bravamente o diagnóstico;, disse ela, que conviveu com Luciano durante 16 anos, entre namoro e casamento (leia depoimento ao lado).


Na manhã de ontem, ele não resistiu ao câncer e morreu no Hospital Brasília, onde estava internado. Brasiliense, Luciano era o filho mais velho de Guilherme e Maria Helena Resende. Além de Lilian, tinha outra irmã, Liliane, nutricionista. Deixa dois sobrinhos, a quem dedicava especial atenção. Era muito ligado à família e não dispensava os almoços na casa da mãe, especialista em iguarias árabes. O velório ocorre hoje, a partir das 9h, na Capela 3 do Cemitério Campo da Esperança. O enterro será às 16h30.


Metódico e sistemático são duas características que combinavam com a personalidade de Luciano, a ponto de a família brincar com elas. ;A gente costumava dizer que ele era o Agente 00#*7, porque suas senhas eram uma combinação gigante de números e letras;, lembrou Lilian, em homenagem feita nas redes sociais. A responsabilidade e o cuidado também se refletiam na forma como ele tratava os outros. Era risonho e carismático; também reservado e de hábitos simples ; a ponto de vender o carro e andar de ônibus durante um período. Nunca se preocupou muito com o que as pessoas achavam ou pensavam dele. Mas nunca deixou de ajudar e apoiar quem precisava. Também tinha amigos de longa data. Flávia ressalta a generosidade que ele demonstrou ao sofrer muitas vezes em silêncio para poupar aqueles que amava.


Lilian também lembrou a intensidade como o irmão viveu cada momento. ;Para ele, bom era pouco. Tinha apego ao ótimo. Era intenso. Quando fumou, chegava a consumir até três maços por dia. No dia em que decidiu parar, foi para sempre.; Essa decisão não ficou restrita a ele. Preocupado com a saúde da mãe, o empresário advertiu: se ela não parasse de fumar, ele não voltaria mais a visitá-la. E assim tem feito Maria Helena nos últimos seis anos.

Depoimento

Esforço de guerreiro

;Ele enfrentou bravamente um diagnóstico que chegou como um soco no estômago. Uma sentença de morte que virou de cabeça para baixo a ampulheta da vida, que parecia tão iluminada naquele momento. Generoso, engoliu o choro e o desespero para não provocar dor aos que o amavam. Teve esperança muitas vezes, na mesma proporção em que perdeu a fé na cura, tantas outras. Quem está ao lado de um soldado doente, adoece também e, igualmente, se fere na batalha. Mas os sobreviventes têm obrigação de fazer jus ao esforço desse guerreiro e usar a sua luta para repensar valores e viver a vida de forma mais plena. Ela é incerta para todos. E isso ele ensinou a todos nós. Foi sua grande vitória.;

Flávia Duarte, jornalista e mulher de Luciano por 16 anos

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação