Juros sobem e calote também

Juros sobem e calote também

Taxa média de 64,8% ao ano é a mais alta desde março de 2011. Inadimplência no cartão de crédito bate 38,5%. Especialistas advertem que disparada do desemprego e queda na renda devem dificultar ainda mais o pagamento de dívidas no prazo

ANTONIO TEMÓTEO
postado em 28/11/2015 00:00
Os consumidores que fizerem compras a prazo para o Natal devem preparar o bolso. As taxas médias de juros para pessoa física chegaram a 64,8% ao ano em outubro, conforme dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). Esse é o maior patamar desde março de 2011. E devem tomar cuidado, pois o aumento do desemprego e a queda na renda t;em implicado aumento dos calotes. O nível de inadimplência chegou a 5,8%, no mês passado. No caso do cartão de crédito, está em 38,5%.

Apesar do aumento do percentual de pessoas que não estão conseguindo quitar os débitos, o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, avaliou que os bancos estão preparados para esse momento. Segundo ele, as instituições financeiras passaram a ser mais criteriosas na concessão de crédito a partir de 2012, quando as dívidas em atraso com mais de 90 tiveram uma alta significativa. ;Esse crescimento da inadimplência ocorre no momento em que o sistema financeiro está capitalizado e tem provisões. Não há temor de impactos de solidez e de estabilidade;, avaliou.

Apesar disso, Rocha admitiu que, com a recessão econômica prevista para 2015 e 2016, a inadimplência aumentará. ;Mas ela está moderada, em comparação com períodos anteriores;, disse. O chefe adjunto do Departamento Econômico do BC ainda ressaltou que a alta dos juros está em linha com o ciclo de aperto monetário. De janeiro a outubro, a taxa média para pessoa física aumentou 15,2 pontos percentuais.

Segundo Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a tendência é de que a inadimplência suba nos próximos meses. Ele explicou que, com a inflação em alta, a queda na renda, o crescimento do desemprego e a elevação de tributos, os consumidores terão mais dificuldade para pagar as contas em dia. Oliveira afirmou, ainda, que um possível aumento da Taxa Básica de Juros (Selic) pode agravar a situação.

Ele lembrou que, para combater calotes, as instituições financeiras ficaram mais criteriosas na concessão de crédito e reduziram os prazos de financiamento. Mesmo com toda essa precaução, elevaram as provisões para perdas com operações de crédito. ;Isso ocorre porque estão esperando mais inadimplência nos próximos meses;, afirmou.

Empresas
O economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas, ressaltou que os bancos e financeiras têm monitorado constantemente também o aumento nos calotes de empresas. Conforme ele, a retração da economia atinge todos os setores e muitos deles com diversos contratos de financiamento em andamento. Ele exemplificou que empresas de construção civil, do setor automotivo e de serviços estão entre as mais prejudicadas com a crise econômica. E a queda do faturamento pode elevar o nível de inadimplência.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação