A tempestade do século

A tempestade do século

Com a ajuda de Gabriel Medina, campeão em 2014, Adriano %u201CMineirinho%u201D de Souza fatura o título mundial pela primeira vez, na etapa de Pipeline, no Havaí. Conquista prova a força da Brazilian Storm, a geração de talentos do país

postado em 18/12/2015 00:00
 (foto: Sebastian Rojas/Agência O Globo)
(foto: Sebastian Rojas/Agência O Globo)


Após 10 anos no Circuito Mundial de surfe, Adriano de Souza, o Mineirinho, pôde, enfim, comemorar seu primeiro título da competição. O paulista, de 28 anos, teve uma atuação brilhante na decisiva etapa de Pipeline, no Havaí (Estados Unidos), ganhou o evento e superou o favorito australiano Mick Fanning ; graças também à ajuda do compatriota e amigo Gabriel Medina, campeão em 2014, que eliminou o rival na semifinal.

;Cheguei ao topo do mundo graças a R$ 30, que foi o valor que o meu irmão pagou para comprar a minha primeira prancha quando a gente não tinha condição de ter um gasto desse. Dedico essa vitória a ele;, afirmou ele, carregado por dezenas de torcedores brasileiros que estavam na praia em Pipeline.

Mineirinho encabeça um grupo que foi apelidado de Brazilian Storm, a tempestade brasileira, que ganhou respeito de australianos, americanos e havaianos, as nações tradicionais do surfe. Para se ter uma ideia, os últimos dois campeões são paulistas (Medina é de Maresias); o vencedor do WQS, uma espécie de segunda divisão, em 2015, foi Caio Ibelli; e o país vem mostrando talento em várias competições pelo mundo. No Circuito Mundial, por sinal, os três troféus mais cobiçados no Havaí ficaram com brasileiros: Mineirinho com o título mundial e com o Pipe Masters, e Medina, com a inédita Tríplice Coroa Havaiana. Além disso, Ítalo Ferreira foi eleito Calouro do ano. E o Brasil ganhou seis das 11 etapas da temporada.

Surfista do Guarujá (SP), Mineirinho ; ganhou o apelido porque o irmão era chamado de Mineiro, pela tranquilidade ; sabia que precisava terminar a última etapa do Circuito Mundial à frente de Fanning, que chegou ao evento como líder e via em outro brasileiro, Filipe Toledo, seu maior adversário. Só que Filipinho caiu na terceira fase e deixou o caminho aberto para o australiano, que despachou dois especialistas em Pipeline em fases decisivas: Jamie O;Brien e Kelly Slater.

Aos 34 anos, Fanning teve uma temporada bastante regular, com vitórias em Bells Beach e em Trestles antes de chegar ao Havaí como favorito. Mesmo com a notícia da morte do irmão na quarta-feira, ele competiu com brilho e foi avançando no Pipe Masters. Ontem, foi eliminado por Gabriel Medina na primeira semifinal e ficou dependendo da derrota de Mineirinho na outra para ser campeão.

Tudo parecia favorável ao australiano. A torcida pela vitória dele era muito grande, até porque superou um trauma enorme na etapa de Jeffreys Bay. Na final contra Julian Wilson, foi atacado por um tubarão, e a decisão acabou sendo cancelada. Bastante assustado, ele viu a morte de perto, mas, aos poucos, se recuperou. Só que no Havaí ele presenciou Mineirinho brilhar mais.

O brasileiro fez a sua parte e foi passando as baterias na base da raça e do talento. Na semifinal, viu o amigo Gabriel Medina, já sem chances de conquistar o bicampeonato, eliminar Fanning com um belo aéreo nos últimos segundos da disputa. Então, Mineirinho seria campeão se superasse o local Mason Ho na outra bateria.

;É um sentimento incrível ser campeão. No meio da corrida do título, achava que o Mick merecia mais do que eu, ele é um grande homem e três vezes campeão mundial, e estava lutando contra alguém que queria seu primeiro título;, contou.

Com um surfe competitivo, em um mar de poucas ondas, Mineirinho fez o suficiente para chegar à decisão e manter o título mundial no Brasil. No fim, ainda dedicou a façanha ao amigo Ricardinho dos Santos, assassinado no início do ano por um policial em Santa Catarina. ;Queria agradecer muito a Deus por este momento e pelo Ricardo lá em cima. Eu também dedico esse troféu a ele. Eu fiz uma homenagem com uma tatuagem aqui no braço, ele estará comigo para sempre, vou carregar a alma dele comigo.;

Na temporada, Mineirinho chegou ao Havaí com uma vitória em Margaret River, na Austrália, e outras duas finais, em Bells Beach e Trestles. Em Portugal, na penúltima etapa do ano, ficou em 13; lugar e achou que não conseguiria mais o cobiçado troféu. ;Quando perdi em Portugal, achei que o título estava escorrendo pelas minhas mãos. Mas eu me dediquei muito para chegar a esta conquista.;

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