Impasse mantém greve no metrô

Impasse mantém greve no metrô

Metroviários e empresa não chegam a acordo durante audiência de conciliação realizada ontem, e paralisação alcança o quarto dia. Sindicato que representa a categoria tem até segunda-feira para apresentar ao TRT argumentos favoráveis ao movimento

postado em 17/06/2016 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

; LUIZ CALCAGNO

A audiência de conciliação que prometia acabar com a greve dos metroviários terminou em impasse. Mediado por um juiz do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 10; Região, o encontro teve início por volta das 10h e durou até as 14h20. O ponto crítico da discussão foi a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Os representantes da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) alegam não poder conceder o aumento de 9,5% nem contratar funcionários, pois o GDF está no limite dos gastos. Os sindicalistas dizem que não querem um reajuste imediato. A categoria está disposta a esperar um futuro relaxamento nas contas do Executivo local para repor as perdas inflacionárias.

Sem um meio-termo, o fim do movimento, seja pelas pautas atendidas, seja por força de decisão da Justiça, está nas mãos do tribunal. Agora, o Sindmetrô terá até a próxima segunda-feira para apresentar uma defesa da greve ao TRT. Depois disso, os advogados da empresa terão 48 horas para apresentar justificativas para acabar com a paralisação. O ato seguinte será uma decisão do juiz sobre o dissídio coletivo.

O diretor de Administração da Metrô-DF, Gustavo Andrade, avalia que o pleito dos funcionários é legítimo, mas ;estéril;. Ele explica que, da mesma forma que o governo não pode conceder o aumento agora, não pode prometê-lo para o futuro, sob risco de não conseguir cumprir o acordo. ;Eles falam que não apresentamos propostas, mas oferecem uma pauta financeira. É sabido que a LRF proíbe o aumento. O mesmo para a admissão de funcionários. Precisamos, mas não podemos contratar. Uma coisa é o que demandamos e achamos legítimo, outra é o que podemos ou não fazer a respeito. O pleito é de direito, mas inoportuno. Lamentavelmente, quem paga é o cidadão;, explica.

Sobre a flexibilização dos pagamentos, Gustavo disse que não pode repetir o erro de ;gestões anteriores;. ;Seria uma repetição de um procedimento irresponsável do passado. Não posso prometer algo que não posso pagar. E, se critico um procedimento que tenha levado ao endividamento irresponsável do Estado, também não posso contribuir para que isso se repita. Estou frustrado;, lamentou. ;A greve é uma prerrogativa deles (dos metroviários). É um processo democrático. E, acima de tudo, está o cidadão, que paga o imposto, que merece ser tratado de forma digna nos nossos trens;, conclui.

Sem uma proposta concreta, a direção do sindicato cancelou a assembleia marcada para depois da audiência de conciliação. Um dos diretores do Sindmetrô, Ronaldo Amorim explicou que não há o que debater ou oferecer à categoria se a empresa não apresentou contraproposta. Para ele, a Metrô-DF e o GDF usam a LRF como ;escudo; para não debater a pauta dos funcionários. Ele insiste, ainda, que os grevistas aceitariam receber o reajuste com base na inflação, após o GDF deixar os limites da LRF. ;Vamos manter as determinações do TRT enquanto isso;, garante. Por determinação judicial, durante a greve, os funcionários do metrô trabalham das 6h às 9h e das 17h às 20h30 a fim de garantir 24 trens atendendo as 24 estações do sistema.

Ronaldo argumenta, ainda, que, no caso das contratações, a empresa poderia remanejar gastos. ;Entendemos a posição do metrô. Por isso, queremos o comprometimento de que, assim que sair da LRF, se façam os pagamentos. Além disso, estamos pedindo, apenas, a reposição inflacionária e a reposição dos funcionários. O dinheiro da bilheteria poderia ser usado para essa contratação, por exemplo. É uma redistribuição dos recursos. E, por fim, os terceirizados custam mais do que os convocados. Faça uma troca, mude o fluxo desse dinheiro;, sugere.



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