Reforma

Reforma

postado em 10/12/2016 00:00

Alguém, em sã consciência, entregaria uma caríssima obra de reforma de seu patrimônio a um grupo de pessoas no qual não deposita absolutamente nenhuma confiança? É mais ou menos o que vem ocorrendo com a reforma da Previdência, apresentada com enorme urgência, pelo governo Temer. Mesmo diante do reconhecimento da necessidade de reformar o sistema, os trabalhadores brasileiros, na sua imensa maioria, não confiam naqueles que estão, em todos os níveis, operando para mudar a mecânica do sistema previdenciário. Não é para menos. A população não confia no Congresso, não confia nos políticos, não confia no governo e desconfia, inclusive, dos próprios sindicatos que dizem representá-la.


O futuro da classe trabalhadora está nas mãos daqueles que as ruas já disseram, em alto e bom som, que não a representam. Que reformas podem resultar de políticos que, em suma, não se submeterão às novas regras? Todos poderão se aposentar com 8 anos de serviço? Ou receber de castigo a aposentadoria compulsória? Para qualquer trabalhador interessa, obviamente, uma aposentadoria digna e, se todos são iguais perante a lei, que a mesma lei funcione para todos no mesmo gênero, número, grau e quantia proporcional.


Para isso, o trabalhador investe ao longo da vida parte significativa de seus rendimentos. Trata-se aqui de uma aplicação que é retirada à revelia do assalariado pelo Estado e, muitas vezes, aplicada de forma irresponsável, em negócios nebulosos e, não raro, com sinais claros de corrupção.
Falar em reforma, o que salta primeiro diante dos olhos do brasileiro é o risco de gestão temerária dos recursos feita pelos governos. É preciso lembrar que o dinheiro dos trabalhadores tem sido usado até para comprar papéis e títulos podres da dívida pública de países que todos sabiam economicamente falidos. Nos últimos anos, os mais sólidos fundos de pensão das empresas públicas brasileiras foram simplesmente esvaziados por conta de interesses que misturavam afinidade ideológica e interesses particulares escusos. O que resultou nesse carnaval com o dinheiro do trabalhador foram fundos pobres e operadores, partidos e dirigentes ricos.


Muito mais do que o envelhecimento da população, o que tem levado à falência do sistema previdenciário são a incúria e a corrupção, facilitadas não só pelas brechas que escancaram as portas do cofre às fraudes corriqueiras, mas sobretudo pela facilidade com que os recursos são apropriados em nome da política partidária. Os recursos da Previdência têm sido usados para tudo, menos para garantir o futuro daqueles que investiram por anos a fio, dando parte de seu sacrifício, para receber paz no futuro.

A frase que não foi pronunciada

;Péssima notícia. Papai Noel está de saco cheio.;

Alguém fantasiado de bom velhinho pagando
contas e mais contas

BB
; Buscando comunicação com agências do Banco do Brasil, descobrimos uma inovação que acelera a comunicação dos clientes com a gerência da conta. Ao acessar, pela internet, pela agência e conta, ao entrar na página, basta o cliente clicar em um balãozinho no canto direito no alto da tela. Ali está a interface. A gerência recebe a questão em tempo real, que fica aberta no computador até que dê a resposta. Uma solução bastante ágil para os internautas. Os idosos que preferem o contato telefônico ainda penam.

Denúncia
; Leitor chama a atenção do governo Temer para impedir que as riquezas do Brasil saiam como estão saindo. Desde matéria-prima para indústrias farmacêuticas multinacionais até o nióbio, vendido a preço de banana.

Regresso
; Lendo a história de Brasília abaixo, aqui mesmo nessa coluna, quando na década de 1960 uma carta saía do Aeroporto de Brasília e chagava no mesmo dia ao Ceará, hoje um susto com a surpresa. Para uma carta chegar aos Estados Unidos, em uma semana, é preciso desembolsar
R$ 100. Que diferença. Quanto tempo levamos para fazer o pior.Qualquer reforma séria deveria começar pela universalização dos direitos. Isso, logicamente, significaria, teto salarial, fim de privilégios e outras desigualdades vergonhosas. Uma simples sondagem nos salários de alguns nababos da República dá a dimensão do abismo social do país. Renan Calheiros sabe disso e encostou o ferro gelado no nervo central da questão.

História de Brasília

Quando alguém falar mal do DCT faça, por favor, exceção à agência do aeroporto de Brasília. Um telegrama para o Ceará, que vai via Rio, chegou ao destino no mesmo dia. É uma pena se noticiar uma coisa dessas, porque fato como esse devia ser rotina, mas infelizmente não é. (Publicado em 19/9/1961)

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