Olho nos brancos e nulos

Olho nos brancos e nulos

Roberto fonseca robertofonseca.df@dabr.com.br
postado em 14/09/2018 00:00
A 23 dias de os brasileiros irem às urnas, o cenário da disputa presidencial segue embaralhado. Com o líder das pesquisas de intenção de voto internado na UTI de um hospital particular de São Paulo, depois de um ataque que ainda precisa ser bem investigado pela Polícia Federal, os demais postulantes ao Palácio do Planalto tentam achar o tom das três últimas semanas de campanha. E pelo visto, nos últimos dias, a artilharia será pesada.

Fernando Haddad assumiu a cabeça da chapa petista e, automaticamente, se tornou vidraça. Ciro Gomes, do PDT, subiu o tom. Disse que o ;Brasil não aguenta outra Dilma;. Marina, da Rede, seguiu na mesma linha: o ex-prefeito de São Paulo terá que ;explicar para a população por que, nos anos do governo Dilma/Temer, as coisas erradas aumentaram;. Geraldo Alckmin, do PSDB, optou por um discurso parecido e cobrou explicação do substituto de Lula sobre os 13 milhões de desempregados deixados depois de praticamente 14 anos de petistas no comando da nação. O chumbo trocado entre os quatro tende a aumentar; afinal, estão empatados tecnicamente na disputa pela segunda vaga no segundo turno. Nessa fase da campanha, avaliam os assessores, levará a melhor quem tiver mais pedras para atirar.

Por falar em pesquisa, os últimos levantamentos sobre intenção de voto apontam para uma queda na quantidade de pessoas que pretendem votar branco ou nulo na disputa presidencial. É o caso do último Datafolha. Em cinco dias, o percentual do eleitores que preferiam não escolher um candidato caiu de 22% para 15%. Os indecisos (não sabe/não respondeu) subiram de 6% para 7%.

Pelas regras eleitorais, brancos e nulos têm o mesmo destino: são inválidos e, com isso, desconsiderados de todo e qualquer tipo de cálculo associado ao processo de votação. Em 2014, com uma abstenção nacional de 19,12% no primeiro turno da disputa presidencial, os brancos representaram 3,42% dos 111,1 milhões de votos. Os nulos, 5,51%. Ou seja, percentuais abaixos dos registrados, até agora, nas pesquisas de intenção de voto. Dessa forma, há espaço para os candidatos conquistarem o apoio dessa parcela da população que pretende abrir mão de escolher o próximo presidente.

Há meio que um consenso na ciência política de que, com a urna eletrônica, os votos brancos e nulos estão mais ligados a um desencanto com os governantes do que um sintoma da falta de instrução do eleitorado. Antes, com a votação em papel, o analfabetismo contribuía para a invalidação do voto. Os presidenciáveis têm, então, o desafio de reverter este processo de desilusão e afastamento. Quem conseguir cumprir a tarefa passa a ter grandes chances de carimbar o passaporte para o segundo turno. Veremos.

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