Justiça começa a liberar estudantes

Justiça começa a liberar estudantes

postado em 10/05/2014 00:00
 (foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters )
(foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters )





Alvo de críticas e cobranças das Nações Unidas, que externaram preocupação com violações aos direitos e às garantias individuais da população, a Venezuela começou ontem a libertar manifestantes ; a maior parte deles estudantes ; detidos durante a operação que desmantelou acampamentos de opositores ao governo de Nicolás Maduro, em Caracas. ;Condenamos energicamente todo tipo de violência por parte de qualquer grupo na Venezuela. Estamos particularmente preocupados pelo uso excessivo da força por parte das autoridades em resposta aos protestos;, declarou a jornalistas o porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville.

A operação do governo, na madrugada de quinta-feira, resultou na detenção de 243 pessoas em quatro acampamentos, um deles montado em frente à representação das Nações Unidas na capital venezuelana. A libertação dos detidos foi anunciada pela defensora pública Gabriela Ramírez, em seu perfil no Twitter. Os primeiros liberados foram 12 menores. Em seguida, informou Ramírez, a Justiça soltou quatro pessoas com deficiência auditiva. Até o fechamento desta edição, 28 estudantes já teriam sido libertados.

Em grupos, os manifestantes, detidos no Core 5, foram levados para audiências no Palácio de Justiça, a sede dos tribunais penais. Em pouco tempo, familiares se concentraram no local, em busca de notícias. ;Reiteramos o apelo do Alto Comissariado ao governo para que garanta que as pessoas não sejam castigadas por exercer seu direito de reunião pacificamente;, ressaltou Colville antes de a Justiça venezuelana começar a libertar os estudantes.

EUA

Em Washington, a operação comandada pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB) contra os opositores de Maduro foi a senha para a discussão e aprovação de um projeto de lei que prevê sanções contra responsáveis por violações de direitos humanos durante manifestações na Venezuela. A proposta foi aprovada pela maioria dos integrantes do Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes dos Estados Unidos e agora será debatido no plenário da Câmara. Durante a sessão, apenas dois congressistas apresentaram objeções.

;Acredito que a votação no plenário acontecerá em breve. Tenho confiança de que aprovaremos;, disse o presidente do Comitê, o republicano Edward Royce. ;A aprovação da legislação leva a Maduro a forte mensagem de que o Congresso dos Estados Unidos está atento às atrocidades cometidas pelo seu regime e que eles serão punidos;, disse a congressista republicana Ileana Ros-Lehtinen, autora da proposta.

A lei tem como alvo os responsáveis por prisões políticas e por abusos cometidos contra ativistas, visando também àqueles que tentam impedir o trabalho de jornalistas e a atividade de cidadãos que buscam compartilhar informações sobre os protestos contra o governo. Eles teriam contas e propriedades congeladas nos Estados Unidos e seus vistos de entrada no país seriam cancelados. Mas, para o governo do presidente Barack Obama, as sanções não são apropriadas no momento.

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