Governo rejeita cessar-fogo

Governo rejeita cessar-fogo

postado em 17/05/2014 00:00

O governo do presidente Juan Manuel Santos não dará contrapartida ao cessar-fogo unilateral declarado pelas duas guerrilhas esquerdistas colombianas para o período que antecede a eleição presidencial, no próximo dia 25. O anúncio foi feito em Havana (Cuba) pela delegação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que negocia a paz com representantes de Santos, e inclui também o Exército de Libertação Nacional (ELN), que não participa do processo. Na reta final da campanha pela reeleição, o presidente perdeu a dianteira nas pesquisas para o principal adversário, Óscar Iván Zuluaga, que defende a política de ;guerra total; do ex-mandatário Álvaro Uribe.

;Não vamos deixar de persegui-los (os guerrilheiros) simplesmente porque farão o favor de deixar de cometer os tantos crimes que cometem;, afirmou o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, questionado sobre a resposta do governo à trégua. ;Quando renunciarem às armas, com muito gosto vamos parar de persegui-los. Cada vez que adotamos um cessar-fogo bilateral, isso significa um fortalecimento dos grupos armados;, completou. O próprio Santos já havia descartado a ideia, dias antes.

Comunicado

Falando à imprensa na capital cubana, o comandante guerrilheiro Pablo Catatumbo, um dos porta-vozes dos rebeldes nas negociações, confirmou que a trégua foi definida pelos comandantes máximos das Farc, Timoleón Jiménez, e do ELN, Nicolás Rodríguez. ;Ordenamos às nossas unidades que suspendam qualquer ação militar ofensiva contra as Forças Armadas do Estado ou contra a infraestrutura econômica a partir da 0h de terça-feira, 20 de maio, até as 24 horas de quarta-feira, 28 de maio;, declarou Catatumbo na abertura de mais uma sessão de conversações.

Há quatro anos, Santos se elegeu em boa parte pelo retrospecto como ministro da Defesa no governo de Uribe, quando as Farc sofreram os golpes mais duros em meio século de insurgência armada ; que se completam dois dias depois do pleito. Depois da transição de poder, no entanto, os dois políticos se afastaram. Uribe elegeu-se senador em março passado, com votação consagradora, após uma campanha focalizada no ataque ao processo de paz iniciado por Santos no fim de 2012. O governo e as Farc já obtiveram acordo sobre os três primeiros pontos da agenda ; reforma agrária, integração da guerrilha à vida política e política para drogas ilícitas.

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