A busca pelo espólio de Eduardo

A busca pelo espólio de Eduardo

Dilma e Aécio intensificam a agenda no Nordeste de olho nos 4,5 milhões de votos que o político morto na semana passada tinha na região

André Shalders Marcelo da Fonseca
postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Orlando Brito/Coligação Muda Brasil)
(foto: Orlando Brito/Coligação Muda Brasil)

Oito dias após o acidente aéreo que matou Eduardo Campos (PSB), os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, e Aécio Neves (PSDB) deram a largada em uma corrida particular: a busca pelos votos que o socialista tinha na região. Na última pesquisa Datafolha com Eduardo no páreo, feita entre 15 e 16 de julho, ele aparecia com 12% da preferência dos nordestinos. O percentual corresponde a cerca de 4,5 milhões de votos na região, levando-se em conta dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que indicam a presença de 38,2 milhões de eleitores nos nove estados do Nordeste. Não à toa, a petista esteve em Pernambuco e na Bahia ontem, acompanhada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (ver reportagem abaixo). Aécio, por sua vez, passou a quinta-feira no Rio Grande do Norte e na Paraíba.

O líder do PSDB na Câmara e candidato à reeleição, Antônio Imbassahy (BA), colaborador da campanha de Aécio, lembra que o ;périplo nordestino; do tucano já estava programado, mas foi adiado após a morte de Eduardo. ;Havia o planejamento para essas visitas, que foram postergadas em decorrência da tragédia, e que agora estão sendo retomadas. Não há nenhum motivo novo, adicional;, comentou.

Segundo Imbassahy, o principal objetivo é tornar o político mineiro mais conhecido nos estados nordestinos. ;É uma região muito importante e o que se procura fazer é ampliar o nível de conhecimento de Aécio nesses estados, que ainda é muito pequeno, sobretudo no interior. Vamos mostrar propostas concretas e assegurar que os programas sociais não serão cortados, mas ampliados;, disse o deputado.

No Rio Grande do Norte, Aécio afirmou que os incentivos para a Região Nordeste serão prioridade em seu mandato. ;Serei o presidente da República do emprego, do desenvolvimento, do trabalho, da solidariedade. A nossa proposta é a que vai recuperar a confiança do Brasil para que os investimentos que nos deixaram retornem. O Brasil tem que voltar a crescer para gerar emprego e renda;, disse. Ele visitou, à tarde, uma fábrica em Extremoz, na região metropolitana de Natal, e fez caminhada pelo Camelódromo de Alecrim, na capital potiguar. À noite, fez campanha em Pombal e Patos, na Paraíba.

Na quarta-feira da semana passada, Aécio esteve no Rio Grande do Norte, mas a agenda foi interrompida por causa do acidente que matou Eduardo Campos. ;Foi impossível não lembrar, porque nós soubemos da queda do avião justamente quando chegávamos a Natal, na semana passada. É um lamento muito grande, e que fique o exemplo da vontade do Eduardo, que é também a nossa, de mudar o Brasil;, comentou o tucano.

Perguntado sobre a entrada de Marina Silva (PSB), agora cabeça de chapa do partido de Eduardo, na corrida presidencial, Aécio voltou a dizer que a principal adversária dele será Dilma Rousseff. ;Meu adversário nesta eleição é o governo que aí está;, afirmou.

;Família Brasileira;
Aécio reafirmou o compromisso em manter o Bolsa Família e falou que pretende fazer ajustes no programa. ;O Bolsa Família vai permanecer, mas nós vamos permitir que a pessoa receba não só o recurso financeiro, mas ascenda socialmente. Vamos suprir outras necessidades, como saneamento, saúde e qualificação. Portanto, nós traçamos um programa chamado Família Brasileira que vai, dentro do cadastro único, dividir em cinco níveis de carência todos os que recebem o Bolsa Família;, explicou o candidato.

O tucano falou ainda sobre o programa Nordeste Forte, cujo lançamento está marcado para amanhã, e reforçou que a região será prioridade no governo, uma vez que é ;preciso tratar os desiguais como desiguais;. ;Esse programa terá os principais eixos de investimento na região, que passem pela questão tributária, pela questão logística, pela questão da inovação, portanto, investimento em ciência, tecnologia e valorização das vocações que esta região tem;, disse.

;O Bolsa Família vai permanecer, mas nós vamos permitir que a pessoa receba não só o recurso financeiro, mas ascenda socialmente. Vamos suprir outras necessidades, como saneamento, saúde, qualificação;

Aécio Neves, presidenciável do PSDB

Luciana inaugura comitê em Belém
Candidata do PSol à Presidência da República, Luciana Genro participou ontem de caminhada no bairro de Terra Firme, na periferia de Belém. À noite, inaugurou comitê de campanha na cidade. A presidenciável voltou a dizer que, se eleita, não governará para as elites e inverterá as atuais prioridades da política econômica. ;Quem diz que vai governar para todos acaba governando para os mesmos de sempre, para as elites, para os banqueiros, para os grandes financiadores de campanha e para o mercado financeiro. Nós vamos governar para a maioria do povo;, disse.

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