Veneno sem limite

Veneno sem limite

Warner Bento Filh0 correio.warner@gmail.com
postado em 23/07/2015 00:00


A divulgação, nesta semana, de estudo feito na Argentina é a mais nova e estarrecedora evidência dos estragos causados pelos venenos agrícolas. Ela se junta a uma série de pesquisas ao redor do mundo que aponta para uma única conclusão: os agrotóxicos devem ser banidos do planeta, imediatamente. A ONG argentina Bios analisou a urina de 10 voluntários. Descobriu que nove tinham resíduos do herbicida glifosato. O resultado é muito semelhante aos encontrados pelo médico toxicologista Wanderlei Pignati, no município de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. Analisando sangue e urina de professores, encontrou 88% deles contaminados com resíduos de vários tipos de agrotóxicos. Pignati também identificou os venenos em 83% dos poços de água e em 100% (sim, em todas) das amostras do leite de 62 mulheres.

Em março deste ano, o glifosato, desenvolvido pela norte-americana Monsanto, foi classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como ;provavelmente; cancerígeno. No mês seguinte, o Instituto do Câncer (Inca) condenou o uso dos agrotóxicos pelo mesmo motivo: eles podem causar a doença. Outras centenas de estudos apontam que os agroquímicos ainda podem causar má-formação fetal, problemas nos rins e na pele, lesões neurológicas e problemas hormonais.

No entanto, os venenos seguem sendo vendidos livremente, sem nenhum dos controles estabelecidos em lei. Em vez de avançarmos nas restrições, o que temos feito é permitir a aplicação de ainda mais veneno. Para a comida que chega à nossa mesa, há uma quantidade crescente de agrotóxico residual aceito pelos órgãos de controle, embora não se conheça nenhum estudo comprovando a ingestão segura desses produtos, por mínima que seja.

O mesmo acontece com os padrões de potabilidade da água, a cada revisão mais permissivos à presença de venenos agrícolas. Hoje já a bebemos legalmente temperada com 27 deles, incluindo o glifosato. Em lugar de exigirmos que a indústria química se adapte às nossas necessidades de saúde, temos feito exatamente o oposto: adaptado nossa saúde, ou a falta dela, aos interesses da indústria química.


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