Renda cairá por 2 anos

Renda cairá por 2 anos

postado em 13/09/2015 00:00
A perda do grau de investimento pelo Brasil vai bater em cheio na renda dos brasileiros. Nos cálculos do Banco Santander, o rendimento médio real dos trabalhadores encolherá 2,9% neste ano e 1,8% em 2016. Já a massa salarial tombará 4% e 2,6%, respectivamente. Isso significa dizer que os contracheques, quando descontada a inflação do período, encolherão pelo menos R$ 130 bilhões.

Os economistas garantem que, desde a edição do Plano Real, em 1994, não se vê uma contração tão forte na renda dos trabalhadores por um período tão longo. O problema, ressaltam, é que a inflação se mantém elevada há muito tempo. Na média, ficou próxima de 6,5% em todo o primeiro mandato de Dilma Rousseff. Neste ano, caminha para os 10%, índice sem precedentes nos últimos 13 anos.

Com a renda em queda, não restará outra alternativa às famílias a não ser abrir mão de conquistas importantes, destaca José Luís Oreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Muitos alunos que migraram das ecolas públicas para as particulares terão de fazer o caminho inverso. Duas em cada 10 famílias já não conseguem mais pagar as mensalidades em dia.

Também haverá redução no número de planos de saúde, seja porque o desemprego aumentou, seja porque as faturas ficaram caras de mais. Nos hospitais do Distrito Federal, essa realidade é clara: desde meados do ano, o movimento de pacientes nas emergências caiu, em média, 30%, reflexo do cancelamentos de convênios médicos. A alternativa está sendo recorrer à rede pública, que sofre com a falta de recursos e com a inefiência na gestão.

Tudo isso está acontecendo por causa de erros na política econômica, assegura o economista Raul Velloso, especialista em finanças públicas. Nos últimos quatro anos, o governo gastou demais e foi leniente com a inflação. Mesmo com todos os alertas de que a economia estava ruindo, a presidente Dilma insistiu nos equívocos. A perda do selo de bom pagador pelo país era, portanto, questão de tempo.

;Estamos diante de um quadro desolador, sem perspectiva de reversão tão cedo;, afirma José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Investimentos. O que mais assusta, na opinião dele, é a falta de visão e de sintonia dentro do governo para tirar o país do atoleiro.

O resultado disso serão mais custos à população, especialmente se outra agência retirar o grau de investimento do país, pois haverá fuga maciça de dólares do país. Apesar desse risco, o governo continua atuando com improviso e, em vez de arrumar a casa por meio do corte de gastos, está pronto para elevar impostos. (RC e AT)


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