Genes preguiçosos

Genes preguiçosos

postado em 13/09/2015 00:00

Se a evolução moldou o comportamento que busca poupar energia, em algumas pessoas essa característica parece mais exacerbada. A explicação para isso pode estar nos genes. Cientistas chineses e escoceses afirmam que uma mutação genética está por trás da preguiça exagerada ; aquela que está, por exemplo, associada ao sedentarismo. De acordo com eles, a variante afeta o sistema que regula os níveis de atividade física do indivíduo. No futuro, alegam, uma pílula poderá motivar essas pessoas a saírem do sofá e se tornarem mais atléticas.


Embora os experimentos tenham sido conduzidos em ratos, 400 pacientes acima do peso também participaram de parte do estudo. Para fazer a descoberta, os pesquisadores, que publicaram o resultado na revista Plos Genetics compararam animais normais aos que exibiam uma mutação em um gene chamado SLC35D3. Eles descobriram que a variante produz uma proteína que desempenha importante papel no sistema dopaminérgico do cérebro, afetando a regulação da atividade física. Os ratos com o gene mutante tinham uma quantidade muito menor desse tipo de receptor de dopamina na superfície das células cerebrais. Contudo, quando foram tratados com uma droga que ativa os receptores, o problema foi revertido, e eles se tornaram mais ativos. Como consequência, perderam peso.


Em nota, o professor Wei Li, do Instituto de Genética e Biologia de Pequim, disse que estava animado com a descoberta. ;Os ratos com a mutação eram típicos ;come e dorme;. A quantidade de movimento deles era um terço da de um rato normal, e, quando decidiam se movimentar, faziam isso mais vagarosamente. Assim, ficaram gordos e também desenvolveram sintomas similares aos de uma condição humana chamada síndrome metabólica, termo médico para uma combinação de fatores de risco associados a diabetes, pressão alta e obesidade;, explicou.


De acordo com Li, é possível que a constatação leve a mudanças no protocolo da obesidade. ;Geralmente, para combater a obesidade, as pessoas falam: ;Feche a boca e movimente-se mais;. Porém, a genética contribui para a relutância em se mover em algumas pessoas obesas. Tratamentos médicos terão, no futuro, de ser adaptados para a formação genética individual;, observa. O coautor do estudo, John Speakman, da Universidade de Aberdeen, disse que, embora uma em cada 200 pessoas tenha essa mutação incomum, há um número muito grande de indivíduos com síndrome metabólica ao redor do globo. ;Consequentemente, a população que poderá se beneficiar ao ser tratada com drogas que estimulem os receptores de dopamina pode chegar a milhões;, afirmou, em comunicado.

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