Dólar volta aos R$ 4 com incerteza política

Dólar volta aos R$ 4 com incerteza política

Expectativa sobre a reforma ministerial, votação das contas do governo pelo TCU e divisão no Congresso fazem divisa norte-americana valorizar 0,93%, depois de dois dias de queda

ALESSANDRA AZEVEDO Especial para o Correio
postado em 02/10/2015 00:00
 (foto: Fernanda Caravalho/Fotos Públicas - 26/8/15
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(foto: Fernanda Caravalho/Fotos Públicas - 26/8/15 )


Após dois dias consecutivos de queda, o dólar voltou a subir ontem, encerrando o dia cotado a R$ 4,003, em alta, de 0,93%. A valorização reflete a instabilidade do cenário político e econômico, em meio à polêmica sobre a votação dos vetos presidenciais no Congresso Nacional, a análise do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as contas do governo e a expectativa da reforma ministerial. ;O que tem mantido o dólar alto tem sido, sem dúvida, a tensão política no Brasil. Com tudo o que está acontecendo, os investidores ficam preocupados;, observou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Soma-se às incertezas internas a possibilidade, levantada na última segunda-feira pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), em Nova York, William Dudley, de que os juros dos EUA subam ainda este ano. A notícia influenciou fortemente a alta da divisa verificada nos últimos dias. Com o mercado financeiro brasileiro sensível a sinalizações negativas, ;se isso acontecer, a situação tende a ficar muito complicada em termos de cotação da moeda;, afirmou o economista.

Outro fator que interfere no valor da divisa é a probabilidade de que o Brasil perca o grau de investimento de outras agências de classificação de riscos. Um perigo que o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, considera ser iminente. ;Com certeza, haverá novos rebaixamentos até o fim do ano. Resta saber qual das agências, Fitch ou Moody;s, vai agir primeiro;, alertou. A consequência seria uma expressiva fuga de capitais, visto que muitos fundos internacionais de investimento ficariam impedidos de manter aplicações em ativos brasileiros. Caso a previsão se concretize, o economista acredita que o dólar pode chegar a R$ 4,60.

O clima de insegurança reflete também na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que, embora tenha fechado o primeiro pregão de outubro em alta de 0,56%, segue com perspectivas de queda nos próximos dias. A alta de ontem foi puxada pela Vale, que teve ações valorizadas por influência do aumento nos preços do minério de ferro chinês. Na quarta-feira, a Petrobras foi a protagonista do aumento, puxado pelo reajuste dos preços da gasolina, que deu uma boa perspectiva aos investidores. O reflexo, no entanto, foi rápido. ;O reajuste ajudou a dar uma segurada na queda do papel, mas é um efeito limitado. Essas medidas não são suficientes para manter a bolsa em alta;, avaliou Silveira, da TOV.

Leilão de swap
Nenhum leilão adicional foi anunciado pelo Banco Central, apesar da alta do dólar. O BC sinalizou apenas que deve rolar integralmente os swaps cambiais que vencem em novembro. Na última quarta-feira, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, declarou que o propósito é oferecer proteção ao setor privado contra a alta da moeda.

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