Do Setor O para os Jogos Paralímpicos Rio 2016

Do Setor O para os Jogos Paralímpicos Rio 2016

Professor no Centro Olímpico e Paralímpico de Ceilândia (Setor O) vai integrar a equipe de arbitragem de bocha paralímpica em setembro

» Mara Karina Silva Especial para o Correio
postado em 20/05/2016 00:00
 (foto: Gerson Vieira/FAC/D.A Press)
(foto: Gerson Vieira/FAC/D.A Press)

A notícia da convocação para a equipe de arbitragem de bocha paralímpica para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 foi recebida com êxtase pelo professor de educação física Loreno Kikuchi. ;Há anos venho perseguindo isso. É um misto de muitas emoções, absolutamente inexplicável;, declarou ele, que embarca em setembro para o segundo maior evento esportivo do mundo.

Mineiro de Uberaba, Loreno está há dois anos em Brasília. O trabalho com o paradesporto teve início em 2003, durante a graduação. Ele contou que o incentivo veio da madrinha, Janaina Pessato, na época coordenadora de esportes de uma instituição para deficientes físicos da cidade. A paixão pelo trabalho levou Kikuchi a assumir o compromisso pela inclusão social dessas pessoas. ;Influencio meus alunos pela ótica do esporte, encorajando-os sempre do seu potencial e da importância da inserção em todos os meios;, destacou.

Árbitro desde 2006, ele coleciona participações em competições esportivas nacionais e internacionais, como parapan-americano, opens e mundiais. ;Para completar, faltavam os Jogos Paralímpicos. Uma graça única, que vai vir em alguns dias. Entendo que é a oportunidade para vivenciar esse momento, que é um sonho para milhares de pessoas;, completou Kikuchi.

Loreno integra a equipe pedagógica da Fundação Assis Chateaubriand, no Centro de Ceilândia (Setor O), onde atua como professor de pessoas com deficiência (CPD). O projeto é desenvolvido em conjunto com a Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do Distrito Federal. ;Tenho nas veias sangue que arde em chamas pelo esporte competitivo, é o que me motiva e o que amo fazer. Minha participação nos Jogos Rio 2016 será uma motivação a mais para continuar desenvolvendo o esporte para pessoas com necessidades especiais.;

Esporte e inclusão
Os Centros Olímpicos e Paralímpicos contam com 17 modalidades voltadas para pessoas com deficiência (veja quadro). As unidades esportivas contam com uma estrutura adequada para recebê-las, além de profissionais capacitados para ministrar as aulas e os treinamentos, assim como a Gerência de Apoio Social (GAS), responsável por acolher e acompanhar o desenvolvimento desses alunos.


História

Os primeiros Jogos Paralímpicos ocorreram em 1960, em Roma. Mas a semente deles foi plantada em 1948, quando Ludwig Guttman organizou uma competição esportiva que envolvia veteranos da Segunda Guerra Mundial com lesão na medula espinhal. O evento foi realizado em Stoke Mandeville, na Inglaterra. As competições paralímpicas têm sido sempre realizadas no mesmo ano dos Jogos Olímpicos. Desde Seul, em 1988, também têm sido sediadas no mesmo local.


Para saber mais

Início nos anos 1980

A bocha estreou nos Jogos Paralímpicos em 1984, no masculino e no feminino. A origem do esporte, porém, é incerta. Há indícios de que começou na Grécia e no Egito antigos como passatempo, tornando-se uma modalidade esportiva apenas mais tarde, na Itália. No Brasil, desembarcou com os imigrantes italianos.

A versão adaptada da modalidade só passou a ser praticada na década de 1970, por atletas com elevado grau de paralisia cerebral ou deficiências severas. Para jogar bocha, os atletas usam cadeiras de rodas e têm o objetivo de lançar as bolas coloridas o mais perto possível de uma branca (jack ou bolim). É permitido usar as mãos, os pés, instrumentos de auxílio e até ajudantes (calheiros) no caso dos atletas com maior comprometimento dos membros.

Antes de se tornar uma modalidade olímpica, a bocha teve um antecessor nos Jogos Paralímpicos: o lawn bowls, uma espécie de bocha jogada na grama. O Brasil estreou em Pequim, em 2008, com duas medalhas de ouro e uma de bronze.

Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro


Oferta

Confira as modalidades esportivas oferecidas em cada uma das unidades

; COP Ceilândia (Parque da Vaquejada): bocha paralímpica, atletismo, natação, vôlei sentado e parabadminton.
; COP Ceilândia (Setor O): atletismo, bocha paralímpica, estimulação global, futebol, esporte participativo, natação, basquete e natação.
; COP Estrutural: atletismo, bocha paralímpica, estimulação global, natação, parabadminton, tênis de mesa.
; COP Riacho Fundo I: bocha paralímpica, parabadminton, natação, vôlei sentado, atividade física orientada e estimulação funcional.
; COP Samambaia: parabadminton, bocha paralímpica, natação, atletismo, estimulação funcional, estimulação aquática e futsal.
; COP Sobradinho: estimulação global, atletismo, basquete, bocha, parabadminton, rugby, futsal, vôlei sentado, estimulação global e bocha paralímpica.
; COP São Sebastião: atletismo, parabadminton, natação, bocha paralímpica e goalball.




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