Gastos exigem planejamento

Gastos exigem planejamento

postado em 01/08/2016 00:00

O processo de aumento de renda dos últimos anos sem que os trabalhadores tivessem o mínimo de educação financeira explica o nível de endividamento dos servidores públicos, avalia o presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), Geraldo Tardin. Ele explica que o brasileiro foi incentivado por muitos anos a consumir sem antes saber como controlar as finanças pessoais.


Ele diz que alguns de seus clientes precisaram ser interditados. ;Uma servidora, que trabalhava em um tribunal, bastava sair de casa e fazia compras de R$ 4 mil em supérfluos;, destaca.


Em último caso, conta Tardin, a saída é uma ação de insolvência civil. ;É a falência da pessoa física, igual ao procedimento adotado para empresas. A gente chama os credores e analisa como pagar;, diz.


;Tento, há anos, responsabilizar as instituições financeiras que iludem o cliente ou fazem os gerentes afrouxarem o critério de análise de crédito para baterem metas. Tem gente com 80% da renda comprometida. Temos que pedir na Justiça a redução para 30% e o alongamento do prazo, com os juros do contrato;, ressalta.

Normas

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que as instituições seguem um conjunto de normas que inclui ;clareza na informação sobre as condições dos empréstimos, os custos envolvidos, limites do crédito, documentação obrigatória, regras para liquidação antecipada da dívida e as consequências da falta de pagamento;. Além disso, a entidade declarou que os bancos fazem diversas ações para conscientizar as pessoas sobre o uso do crédito.


Não são só os casos de descontrole que preocupam. Tardin explica que boa parte dos servidores não se planeja para a aposentadoria. Quando requerem o benefício, se dão conta de que terão perda de renda.


O analista de planejamento Mateus Prado, 29 anos, se endividou assim que passou no concurso. ;Entrei em um contexto preocupante há dois anos, quando comprei um imóvel e um carro. Agora está tudo sob controle;, diz. Semelhante situação viveu o também analista de planejamento André Gonçalves, 36. ;Cortei cartão de crédito e comecei a identificar as despesas. Às vezes, não sabia nem onde gastava;, admite.


Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, a questão não é a renda. ;Quem sempre acha que ganha pouco e não adapta seu padrão de vida dificilmente sairá da ciranda financeira;, lembra Domingos. Ele destaca que ninguém obriga o consumidor a gastar demasiadamente. O advogado Heleno Torres também chama atenção para a responsabilidade pessoal. ;O Estado não tem que ser babá do cidadão;, conclui. (VB)

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