Pressão contra Rollemberg

Pressão contra Rollemberg

Paralisações e reuniões de servidores realizadas ontem reivindicaram o pagamento do reajuste adiado pelo Executivo local. Enquanto os policiais civis fecharam as delegacias por 24 horas, os agentes penitenciários mantiveram a greve

» CAMILA COSTA » ANA VIRIATO Especial para o Correio
postado em 18/10/2016 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)


Policiais civis, agentes penitenciários e profissionais da saúde deram início ontem à série de movimentos reivindicatórios e paralisações que deverão marcar outubro e novembro no DF. Os atos ganharam força na sexta-feira, quando o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) anunciou que adiará o pagamento da última parcela do reajuste salarial aprovado na gestão de Agnelo Queiroz (PT). Ele justificou a medida com a falta de dinheiro em caixa para pagar os aumentos. Prefere pagar os salários em dia do que ;quebrar Brasília;.

Ontem, as delegacias amanheceram fechadas. Os agentes estiveram nas unidades, mas ficaram de braços cruzados. A paralisação de 24 horas está prevista para ser encerrada nesta manhã ; a categoria repetirá o ato na próxima quinta-feira (leia Calendário de protestos). Até as 8h de hoje, só foram registrados flagrantes e crimes relacionados à Lei Maria da Penha. Muita gente foi surpreendida, e os policiais as orientaram a voltar hoje. A doméstica Marina Nascimento dos Santos, 32 anos, havia tirado um dia de folga para tirar a Carteira de Identidade do filho na 4; Delegacia de Polícia (Guará). ;É um transtorno. Agora, vou ter de tirar um outro dia de serviço para poder voltar;, reclamou.

Na 3; DP (Cruzeiro), o motorista de ônibus Adão Antônio Medeiros, 41 anos, procurou a unidade policial após se envolver em um acidente de trânsito no SIA. Segundo o rodoviário, um carro entrou na frente do veículo conduzido por ele, houve a colisão e uma passageira ficou ferida. Por normas da empresa, a situação deve ser registrada na delegacia. ;O policial me disse que só amanhã (hoje). Vou ter de ver como faremos. A gente é trabalhador, e isso acaba prejudicando a gente;, comentou.

Além da falta de reajuste para a categoria, o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-DF) informou que o movimento é para chamar a atenção para questões internas da corporação, como o retorno de sete unidades em escala direta e a ausência de negociações com o GDF. A reportagem entrou em contato com o diretor-geral, Eric Seba, mas não houve retorno das ligações até o fechamento desta edição.

A segurança penitenciária também está prejudicada. A categoria, parada desde 10 de outubro, decidiu estender a o movimento e, com isso, serviços como atendimento de oficiais de Justiça aos presos e escoltas judiciais estão suspensos. Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários do DF (Sindpen-DF), a greve é, principalmente, uma resposta ao novo adiamento da quitação da última parcela do reajuste salarial da categoria, equivalente a 15%, pendente desde outubro de 2015. ;O Palácio do Buriti fechou as portas até mesmo para o fornecimento de ações que não exigem tanto do caixa brasiliense, como a confecção de identidades (funcionais para a categoria);, disse o presidente do Sindpen, Leandro Allan.

O Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate-DF), em outra vertente, percorreu sete cidades, as quais representam as regiões de saúde do DF, para instruir os membros da categoria acerca da greve geral, com início previsto para 24 de outubro. Segundo o vice-presidente da entidade, Jorge Viana, os sindicalistas reivindicam a incorporação da última parcela da Gratificação de Atividade Técnico-Administrativa ao contra-cheque e melhorias nas infraestruturas dos hospitais. ;Faltam insumos, medicamentos e leitos. Sabemos que o governo atravessa uma fase difícil, mas a situação em que trabalhamos é precária;, comentou.

O GDF promete agir de forma firme com os servidores. O comportamento do Executivo será pautado pelo decreto publicado no início do mês, que prevê, entre outras coisas, corte de ponto e penalidades administrativas que podem chegar a demissão. ;Soltamos o decreto para mostrar como vamos agir e vamos cumprir tudo que está lá. É uma forma de criar um protocolo dentro do próprio governo e de mostrar para a população o que faremos;, explicou o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio.

Operação padrão

Por falta de profissionais, a Polícia Civil tinha determinado o fechamento de pelo menos 21 delegacias durante a noite. No entanto, o MP recomendou à direção que o atendimento fosse durante todo o dia. O diretor-geral da PCDF, Eric Seba, atendeu ao pedido e revogou o horário limitado. Para os policiais, a decisão foi tomada mesmo sem garantir o efetivo necessário para a reabertura de delegacias em sistema de plantão. Policiais civis estão em operação padrão desde 4 de julho.

Calendário
de protestos


Ontem

; Paralisação de policiais civis por 24 horas, com fechamento de delegacias
; Reuniões do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem, do Sindicato dos Médicos e do Sindicato dos Servidores e Empregados da Administração Direta, Autarquias e Empresas Públicas (Sindser)

18 de outubro

; Movimento Unificado de mais de 20 categorias

19 de outubro

; Assembleia geral do Sindsaúde

20 de outubro

; Nova paralisação de policiais civis por 24 horas, com fechamento de delegacias

24 de outubro

; Início da greve geral da enfermagem

25 de outubro

; Assembleia geral do Sindicato dos Agentes Penitenciários

10 de novembro

; Assembleia geral dos professores

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