Brasília-DF

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por Denise Rothenburg » deniserothenburg.df@dabr.com.br
postado em 19/04/2017 00:00


Aos de casa

Na satisfação que deu esta semana aos funcionários da Odebrecht, o presidente Newton de Souza pede a todos que ;compreendam este momento;. Explica que a empresa ofereceu ;todas as condições para que os 77 colaboradores prestadores de depoimento à Justiça estivessem absolutamente tranquilos em relação à própria sobrevivência e de suas famílias;. A empresa também detalha o acordo fechado com a Justiça Americana, que não precisa mais de qualquer convalidação, o que permitirá trabalhar lá fora. ;Peço que observem menos as interpretações superficiais e, às vezes, agressivas de analistas sobre os depoimentos. Atentem-se mais, por favor, para o conteúdo;, diz ele, no longo texto.

Em tempo: depois de tantas demissões na Odebrecht, a leitura dos funcionários é a de que essa temporada acabou e ai do político que vier a propor negócios escusos à companhia. ;Estamos fazendo a nossa parte. (...) Essa etapa de exposição negativa é dolorosa, mas necessária. Precisávamos passar por isso. Seria impossível reconstruir a empresa que queremos sem passar por isso;, pedindo desculpas aos empregados pelo constrangimento. ;Não é uma jornada fácil nem tampouco curta;, diz Newton, dando sinais de que ainda há muitas emoções por vir.

Sinal de alerta

A invasão ontem na Câmara dos Deputados fez com que os parlamentares redobrassem as preocupações com a reforma da Previdência. Embora o texto seja prioridade, não dá para desprezar a avaliação de que, nesse terreno, tudo está sendo preparado para que o PT saia de bonzinho e a base do governo, de vilã.


Tartaruga nada ninja

Quando o governo perdeu a votação de ontem sobre a urgência da reforma trabalhista, aliados do presidente Michel Temer comentavam: ;Desse jeito, ele não chega a lugar algum;. Por isso a ordem agora é negociar um pacto na base aliada. Primeiro, votar a reforma trabalhista e, em seguida, pedir pesquisas qualitativas. Se a popularidade continuar em queda, aí será hora de orar pela reforma previdenciária.


O grisalho

Quem conhece o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia sentencia: ;Aquele é homem sério. Foi vendido por Eduardo Cunha como ;um percentual
é do grisalho;, mas ele (o grisalho Arlindo) nem sabia;, diz um especialista em
Eduardo Cunha.


No Brasil se vota em
Tiririca e se elege Valdemar;

Gilmar Mendes,
presidente do Tribunal Superior Eleitoral, durante sua palestra no seminário do Instituto de Direito Público (IDP), sobre governança e Constituição, em parceria
com a Universidade de Lisboa.

Inimigos meus/ Quem tem acompanhado o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reparou que ele anda pra lá de nervoso. Motivo: seus adversários são aqueles que mais brigam hoje em plenário por causa da delação da Odebrecht. São eles: Chico Alencar, do PSol, Alessandro Molon e Miro Teixeira, ambos da Rede.

Por falar em Odebrecht.../ Quem estava aliviado ontem era o ministro das Cidades, Bruno Araújo. É que as análises do PSDB indicam que ele não tem o que temer na delação da Odebrecht, uma vez que os delatores são diretos ao dizer que ele nunca levou nada em troca ao ter pedido para um parlamentar receber um diretor da empresa.

Fica, Celso/ Voo TAM 3712, Congonhas-Brasília, no início da noite de segunda-feira. O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello (foto), sentado na 1C, ouviu de um passageiro na hora do desembarque: ;O senhor nem pense em sair do STF. O país precisa da sua serenidade e da sua sabedoria para superar esse episódio da Lava-Jato;. O ministro agradeceu e cumprimentou o cidadão.

Sai logo, Celso/ Um funcionário do STF aguardava o ministro com uma cadeira de rodas na porta do avião. Foi oferecido ao ministro um desembarque antes dos demais passageiros. Ele educadamente agradeceu e disse que esperaria a saída de todos, uma vez que precisava da cadeira de rodas. O funcionário do STF, que esperava por ele com o equipamento, forçou a passagem. E não sossegou enquanto o ministro não saiu. Alguns passageiros à saída da aeronave comentaram: ;O ministro tão educado, e o funcionário tão impaciente;.

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