Efeito será disseminado

Efeito será disseminado

postado em 03/09/2017 00:00
Os efeitos da reforma trabalhista sobre a geração de emprego serão disseminados. Postos de trabalho devem ser criados nas mais diversas atividades da economia, prevê o chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes.

A modernização da legislação trabalhista permite a flexibilidade de algumas modalidades de trabalho, como o itinerante, que regulamenta o deslocamento do trabalhador em transporte fornecido pela empresa. Esse tempo gasto em trânsito entre a residência e o trabalho, na ida e na volta da jornada, deixará de ser computado como hora trabalhada. O dispositivo é visto como um estímulo para a contratação de trabalhadores na agropecuária.

Outra modalidade que pode trazer resultados positivos para a produtividade e geração de empregos é o trabalho intermitente, em que o trabalhador é remunerado por horas trabalhadas ; ou dias. Esse tipo de contrato poderá trazer efeitos positivos na indústria, destaca Bentes. ;Principalmente no período entre junho e agosto, quando o setor atende as demandas do varejo para as festas de fim de ano;, justifica.

De um modo geral, todos os setores serão beneficiados, mas Bentes reconhece que, inevitavelmente, será o setor de serviços o que mais se beneficiará com a reforma trabalhista. Afinal, responde por cerca de 73% dos empregos formais do país. ;É uma atividade em que a produtividade é relativamente baixa e os empresários sofrem com maior rotatividade dos trabalhadores;, pondera o economista da CNC.

Beneficiados

Os segmentos de hotelaria e bares e restaurantes também devem ser beneficiados com o trabalho intermitente e a regulamentação do negociado sobre o legislado. A flexibilidade nos contratos permitirá que os empresários possam ajustar melhor a oferta de mão de obra à demanda dos consumidores, gerando, sobretudo, mais empregos em dias, datas ou estações mais movimentadas.

Segmentos ligados a serviços com demanda por modalidades de home-office deverão ser alguns dos mais beneficiados com a reforma, analisa o economista Tiago Cabral Barreira, consultor do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV). ;Vai facilitar bastante para segmentos modernos e inovadores como o de tecnologia da informação (TI);, analisa.

A realidade é que, seja qual for o setor, muitos dos empresários estão esperando a lei entrar em vigor para contratar trabalhadores. É o que avalia o economista-chefe da Opus Investimentos, José Márcio Camargo. ;É uma situação muito possível. Muitos estão contratando informalmente para, quando chegar em novembro, formalizar já na nova legislação e não ficar na antiga;, avalia. (RC)

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