Entre a fantasia e a burocracia

Entre a fantasia e a burocracia

Cotado para ser o grande nome do Oscar 2018, A forma da água traz uma equação bem amarrada para o sucesso de público

Ricardo Daehn
postado em 01/02/2018 00:00
 (foto:  Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

Foi por meio de homenagens e de referências às origens do cinema, em especial de clássicos filmes mudos e musicais, que o diretor mexicano Guillermo del Toro despertou a maciça atenção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a instituição que vota a premiação do Oscar. À frente da mais recente obra, A forma da água, Del Toro moldou uma ficção científica, com bases nos filmes de monstros, correntes entre os anos de 1930 e 1950.

Com o novo projeto, o cineasta ; numa trajetória semelhante à dos compatriotas Alejandro G. Iñárritu e Alfonso Cuarón ; promete sacudir a premiação do Oscar, marcada para 4 de março. A forma da água é o décimo filme da história da premiação candidato a 13 estatuetas, entre os quais o de melhor filme e de diretor.

;Guillermo del Toro luta contra o cinismo, porque é assim que ele é. Ele é muito aberto e afável, e é por esses motivos que ele se sente atraído pelos contos de fadas;, comentou, em entrevista, o ator Richard Jenkins, dono de um personagem fundamental ao enredo desenvolvido por Del Toro: uma trama de amor entre uma faxineira, trintona e muda, e um ser meio humano, mas com características de anfíbio, trazido dos rios da Amazônia.

;Não é uma pessoa;, enfatiza o personagem de Jenkins, ao condenar a incipiente relação da amiga muda, Elisa (Sally Hawkins, indicada ao Oscar de atriz), com a criatura mantida nos porões da cidade de Baltimore, sede de pesquisas aeroespaciais norte-americanas. A forma da água tem ação na época da Guerra Fria, em que muitos ;viviam uma mentira;, como destaca Richard Jenkins. Para além do conflito entre russos e americanos, na trama há vislumbre da proliferação de preconceitos.

O personagem Giles (Jenkins) intensifica o contato de A forma da água com os ternos dramas, sistemáticos na filmografia de Frank Capra (Do mundo nada se leva), de quem o longa de Del Toro se enamora. A narração encantatória, de Giles ; um homossexual apaixonado por cinema ; intensifica o conto surreal da ;princesa sem voz; que dá chances ao inesperado amor. Na carreira de festivais estrangeiros, A forma da água conquistou o Leão de Ouro de melhor filme, no Festival de Veneza.

Fantasia, melodrama e traços policiais se acoplam ao enredo bem amarrado que conta com elenco muito reconhecido: Michael Shannon (Foi apenas um sonho), Octavia Spencer (A cabana) e Doug Jones (confira a entrevista de divulgação internacional, ao lado), mímico e contorcionista que estrelou filmes como O labirinto do fauno e Hellboy. Neste último longa, Doug, por sinal, interpretou uma criatura anfíbia chamada Abe Sapien que, dadas as semelhanças com o protagonista de A forma da água, atiçou os fãs, quando do lançamento do trailer. Todos enganados quanto à possibilidade de se tratar de uma continuação de Helboy.
US$ 53 milhões
Renda, até agora, nas bilheterias



US$ 19,4 milhões
Orçamento divulgado de A forma da água



13
Número de indicações para o Oscar





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