A era de Givenchy

A era de Givenchy

postado em 13/03/2018 00:00
 (foto: Bart Maat/AFP - 23/11/16)
(foto: Bart Maat/AFP - 23/11/16)


A paixão pela moda aflorou ainda na infância. Em 1937, o pequeno Hubert de Givenchy foi a Paris, aos 10 anos, exclusivamente para conhecer o estilista Cristóbal Balenciaga, a quem admirava. O encontro demorou alguns anos para acontecer, mas a viagem marcou a vida do menino francês, que, sete anos depois, iniciou uma das carreiras mais profícuas do mundo fashion, indo da alta-costura ao casual chic. Em meio século de atividade, Givenchy se tornou uma lenda. Vestiu a então primeira-dama americana Jackie Kennedy e a atriz Audrey Hepburn com criações almejadas por mulheres de todos os perfis e classes sociais. Aposentado há mais de duas décadas, o estilista morreu, no sábado, aos 91 anos, enquanto dormia.

Desde o primeiro desfile, em 1952, até a aposentadoria, em 1995, Hubert de Givenchy marcou o mundo da moda pela elegância de suas criações, como o famoso vestido tubinho preto usado por Audrey Hepburn em Bonequinha de luxo (1961). ;As roupas de Givenchy sãos as únicas nas quais me sinto eu mesma. Mais do que um estilista, ele é um criador de personalidade;, dizia a atriz a respeito do artista que a vestia também fora das telas. ;Com o tamanho que ela tinha, qualquer coisa lhe caia bem;, minimizava o francês.

Entre os vestidos icônicos do estilista, destaca-se o de corpete bordado usado por Jackie Kennedy na visita oficial do casal presidencial americano à França, em 1961. E igualmente o de luto usado em 1972 pela duquesa de Windsor, feito de crepe de lã com cinto de couro e um casaco do mesmo tecido.

;É inútil fazer coisas exageradas, devemos fazer roupas acima de tudo confortáveis e bem cortadas, e nunca devemos contrariar o tecido com muitos artifícios, ele deve mover-se sobre o corpo da mulher;, explicava Givenchy enquanto percorria uma grande exposição em homenagem a seu trabalho, no ano passado, em Calais, norte da França.

Nascido em 1927, em Beauvais, Hubert James Taffin de Givenchy iniciou na profissão ainda adolescente, aos 17 anos, descobrindo simultaneamente o universo das mãos pequenas e a das socialites em busca de vestidos de noite. Abriu sua casa de moda em 1951, inspirado em Christian Dior, e estabeleceu-se como o couturier do casual chic.

Dois anos depois, o sonhado encontro com Balenciaga finalmente aconteceu. E foi decisivo para o jovem estilista. Acentuou seu gosto pela roupa arquitetônica e uma certa atitude que se tornaria o estilo Givenchy: uma elegância sem ostentação, dando lugar para o conforto, como os tubinhos pretos apreciados por suas clientes internacionais. ;Balenciaga era a arquitetura, o gênio, a beleza e o estado puro. Ele me ensinou tudo;, declarou Givenchy, que nunca trabalhou com o estilista espanhol.





Homenagens
Por 51 anos, Givenchy foi uma referência, até sua aposentadoria, em 1995. Sete anos antes, a maison que levava seu nome havia sido vendida para o grupo LVMH. ;Entre os criadores que colocaram Paris definitivamente no topo da moda mundial a partir dos anos 1950, Hubert de Givenchy deu a sua casa de modas um lugar à parte. Tanto por seus vestidos longos de gala, como por seus trajes diários, Hubert de Givenchy soube reunir duas qualidades raras: ser inovador e atemporal;, reagiu Bernard Arnault, presidente da LVMH, ao saber da morte do estilista.

A maison Givenchy também prestou homenagem a seu fundador, classificado como uma ;personalidade inesquecível do mundo da alta-costura francesa, símbolo da elegância parisiense durante mais de meio século;. ;Hoje ainda, sua abordagem da moda e sua influência perduram. Sua obra continua sendo tão pertinente hoje como antes;, assinalou, em um comunicado. A estilista Clare Waight Keller, que apresentou sua primeira coleção de alta costura para Givenchy em janeiro, saudou a lembrança de um ;gentleman; em sua conta no Instagram.

O fato é que passados mais de 20 anos de sua aposentadoria do mundo da moda, o estilista mantinha um olhar crítico sobre os desenvolvimentos em sua profissão. ;Agora, acho que há uma espécie de despreocupação, acho que a moda tornou-se outra coisa e não posso dizer que estou entusiasmado. Há moda e modas;, afirmou.

Grande colecionador de arte, Hubert de Givenchy possuía muitas obras no castelo onde muitas vezes se refugiava com seu companheiro, o também estilista Philippe Venet, com quem compartilhou sua vida por vários anos. Seu funeral será realizado ;na intimidade da família;.



Momentos marcantes

20 de feveiro de 1927: Hubert Taffin de Givenchy nasce em Beauvais (norte da França)

1945: começa sua carreira como estilista na maison de Jacques Fath e Elsa Schiaparelli

1952: funda sua própria casa de moda

1953: começa sua colaboração com a atriz Audrey Hepburn, sua musa

1988: vende sua casa de moda a LVMH, mas se mantém como o diretor artístico

1995: apresenta suas últimas coleções de alta-costura e prêt-à-porter.

10 de março de 2018:
morre aos 91 anos


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