Afastadas empresas suspeitas

Afastadas empresas suspeitas

DFTrans substitui empresas que operam em Brazlândia e no Parkway envolvidas nas investigações de fraude no sistema de bilhetagem eletrônica. Com reorganização, passagem de algumas linhas passam de R$ 5 para R$ 3,50

» FLÁVIA MAIA
postado em 08/06/2018 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 15/3/18)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 15/3/18)


O DFTrans anunciou a substituição das empresas de ônibus que operam em Brazlândia e no Park Way envolvidas na Operação Trickster, que investigou fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica. Algumas delas operavam com contrato vencido. Urbi, São José e Pioneira assumem as linhas via contrato precário, ou seja, sem licitação. O órgão gestor do transporte coletivo informou, ainda, que abriu processo administrativo contra a companhia Defender Conservação e Limpeza, que fornece os funcionários terceirizados para trabalharem nos postos de bilhetagem eletrônica. A Defender comunicou que ainda não foi notificada.

De acordo com o DFTrans e a Controladoria Geral do Distrito Federal, o prejuízo causado pela fraude no sistema é de R$ 80 milhões. Deste rombo, R$ 17 milhões são provenientes dos quatro permissionários afastados que atuavam na área rural de Brazlândia e Park Way. São eles: José Augusto de Oliveira, Jesus Correa da Silva, Dênis Bastos e Márcio Teixeira Rodrigues, três deles pertencem a cooperativas. O Correio não conseguiu contato com os permissionários afastados.

No Park Way, oito linhas passarão a ser operadas pela Urbi e pela Pioneira ainda esta semana. Em Brazlândia, são quatro trechos que serão operadas pela São José. Todas as empresas que substituíram as afastadas operam nas respectivas regiões e a possibilidade de aumentar as linhas disponíveis está prevista em contrato. O DFTrans informou que, devido à reorganização das linhas, algumas terão redução no preço da passagem de R$ 5 para R$ 3,50. O órgão afirmou que faz análise sobre as linhas rurais do DF, uma vez que muitas delas têm características urbanas.

Por causa das denúncias, o órgão comunicou que vai reter 30% de todos os pagamentos das empresas citadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e que são alvo da solicitação de ação corretiva da Controladoria-Geral do DF. ;Aquelas empresas que não estão mais prestando serviços e não terão mais faturamento, nós vamos abater no que elas tiverem a receber do DFTrans. O que não for possível descontar, vamos cobrar via judicial;, explicou Marcos Tadeu de Andrade, diretor-geral do DFTrans. Segundo ele, a retenção cautelar é uma forma de antecipar a cobrança do dano aos cofres públicos causada pelas fraudes.

Segundo o DFTrans, 28 permissionários estão sendo investigados e, em até 60 dias, as auditorias devem terminar e novas medidas podem ser anunciadas, inclusive, com novas substituições de permissionários. ;Temos que agir com cautela porque o sistema também precisa funcionar;, justificou Marcos Tadeu.

Terceirizados

Em relação à Defender Conservação e Limpeza, o governo justificou o processo administrativo por descumprimento de itens do contrato como funcionários envolvidos na fraude investigada pela polícia e pelo Ministério Público e a não reposição de terceirizados, deixando os postos de atendimento vazios. Atualmente, o contrato da Defender é de R$ 14 milhões anuais.

A direção da Defender informou que não foi notificada pelo processo administrativo. Carlos Alberto Tabanez, marido da proprietária da empresa, explicou que a companhia tem respeitado o contrato assinado com o DFTrans. ;O DFTrans mandou ofício para a empresa informando que queria que nós demitíssemos 26 pessoas que trabalham há quase dois anos na empresa, que não tem reclamação, nem punição. Não tem motivo algum e elas nunca foram intimadas;. De acordo com Tabanez, o DFTrans tem feito forte ingerência na gestão da empresa. ;A sensação que nós temos é que eles querem rescindir o contrato à força;, atacou. O contrato entre a Defender e o DFTrans é de cinco anos com renovação anual, a última ocorreu em março de 2018 e vale até março de 2019.

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