Para ser diplomata

Para ser diplomata

As inscrições para o Ministério das Relações Exteriores terminam amanhã. O concurso oferece salário de R$ 18 mil e a possibilidade de trabalho com viés internacional

» Eduarda Esposito*
postado em 15/07/2018 00:00
 (foto: Marília Lima/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Marília Lima/Esp. CB/D.A Press)

O Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores (ou Itamaraty) está com 26 vagas abertas para o cargo de terceiro secretário da carreira de diplomata. O salário inicial dos aprovados será de R$ 18.059,83. O certame é organizado pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) e terá três fases (prova objetiva; prova escrita de línguas portuguesa e inglês; e prova escrita). As matérias que cairão na primeira fase, em que serão cobradas 73 questões de certo e errado, são língua portuguesa, língua inglesa, história do Brasil, história mundial, política internacional, geografia, noções de direito e direito internacional público. Já na terceira fase, as matérias cobradas são história do Brasil, política internacional, geografia, noções de economia, noções de direito internacional público, língua espanhola e francesa. O exame deve ser bastante concorrido: em 2017, 5.939 candidatos concorreram às 30 vagas oferecidas na época. É comum que quem almeja essa carreira estude por anos e anos, pois os conteúdos são abordados com muita profundidade.

Após a aprovação, os selecionados passam por curso no Instituto Rio Branco por dois anos para, depois, começar a trabalhar com atividades consular e diplomática. Graduado em turismo, Tiago Leite Miranda, 36 anos, tentará o concurso pela pela sétima vez. A grande motivação é o interesse pela carreira. ;Ter a oportunidade de representar o país e ser um elo me parece algo interessante;, diz. Outros benefícios também chamam a atenção. ;Obviamente tem outras vantagens, como conhecer diversos países.; O mineiro de Patos estuda para o certame cerca de oito horas diárias, por meio de videoaulas e manuais de estudo. Espanhol não será dificuldade para Tiago, que dá aulas do idioma no Cursinho Ideg. Português deve ser o maior desafio para ele.

Hora de focar!
;O certame para a carreira de diplomata não é para aventureiros;, destaca Alexandre Hartmann Monteiro, professor de inglês do cursinho IMP. ;A prova é para quem lê muito, tem fluência na língua inglesa e vocabulário extenso;, afirma. ;A banca cobra correção gramatical, ou seja, que o candidato use os termos adequadamente. Só um bom leitor conhecerá palavras que o leitor comum não domina para fazer isso;, esclarece. Para que os concorrentes fiquem afiados para o concurso, Alexandre dá algumas dicas para praticar a leitura crítica em inglês. ;Recomendo a leitura do jornal The Economist, da revista The New Yorker e também de fontes oficiais, como textos das Organizações das Nações Unidas (ONU). Praticar o inglês lendo essas publicações ajuda na correção gramatical, que é pedida explicitamente no edital;, orienta.

Espanhol merece bastante atenção no certame. Carolina Gomes Sturari, fundadora e diretora pedagógica do ;Bravo! Instituto Cultural Hispano-Americano, destaca os temas que devem ser abordados na matéria. ;Os assuntos costumam ser relacionados a política, economia e atualidades. Os candidatos podem se manter informados acessando sites estrangeiros em espanhol, que costumam ser utilizados como fontes de texto para provas, tais como El Mundo e El Pais, jornais espanhóis, e La Nación, da Argentina;, aconselha. ;Cabe lembrar que a prova de espanhol geralmente é mais rigorosa (do que a de inglês, por exemplo), já que a intenção é que ela seja seletiva. Por isso, recomendamos praticar as habilidades interpretativas por meio de simulados e provas antigas;, informa.

Outro conselho é não menosprezar a disciplina na hora de se preparar para o exame. ;Em virtude da semelhança entre as línguas portuguesa e espanhola, os candidatos podem ter a falsa impressão de que não é necessário se dedicar aos estudos. Por consequência, é justamente nessas provas que costumam ocorrer as médias mais baixas, e o candidato mais bem preparado no espanhol pode garantir um diferencial, aquela pontuação extra;, adverte.

Os professores Pedro Soares Santos e Diogo D;angelo de Araújo Roriz dão aulas de história no Estratégia Concursos e notam que os alunos costumam ter dificuldades com conteúdos que não costumam ser comentados no Brasil. ;O século 19 europeu, culturalmente, não é muito estudado no ensino médio brasileiro, nem nas graduações em geral, sequer costuma ser abordado em livros de história;, diz. No entanto, não deve ser deixado de lado. ;O exame do ano passado cobrou algo muito específico em relação ao Congresso de Viena (que reuniu embaixadores das grandes potências europeias após a derrota da França napoleônica na Rússia);, explica Pedro.

História
Ele aponta outra temática que merece atenção. ;A Guerra Fria cai em política internacional, geografia e história mundial. Em história do Brasil, também se fala muito da importância do período. De acordo com Diogo, uma característica da prova do Itamaraty é cobrar grande diversidade de assuntos de história. ;Um problema é que temos tido 11 questões, cada uma com um conteúdo diferente. Fazendo o retrospecto, salta aos olhos a Guerra Fria, que é cobrado desde 2003, sendo o tema mais frequente. Em segundo lugar, está a Revolução Industrial e os movimentos revolucionários do século 19. Seguido do Entre Guerras, período desde o fim da primeira Guerra até o começo da segunda Guerra Mundial;, afirma.

Política internacional
Uma matéria bem específica da prova para diplomatas é política internacional e o professor Victor Hugo Toniolo Silva, do Gran Cursos Online, chama a atenção para o que prestar atenção. ;É um conteúdo extenso, então é importante focar as vertentes. A primeira é a histórico-conceitual, que envolve as estruturas, as instituições, os sistemas que existem dentro da política internacional. A outra vertente é a agenda de política internacional contemporânea, os grandes acontecimentos, por exemplo, o Brexit (referendo que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia);, explica. Victor Hugo deixa um conselho de como resolver questões no exame. ;Na hora de responder os itens, sinta-se um diplomata. Responda como se estivesse representando o governo brasileiro, julgando a proposição como um profissional;, orienta. A dica para revisar é passar o edital ponto a ponto. ;Os candidatos têm uma tendência a se dedicar mais a temas de maior afeição, ou seja, matérias em que têm facilidade e gostam de estudar. Isso não é suficiente. Então, pergunte-se qual o domínio de história de política externa brasileira, de desarma

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação